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segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Beber leite faz bem para a saúde, afirma Drauzio Varella

14:23 0
Beber leite faz bem para a saúde, afirma Drauzio Varella

"A que pontos nós chegamos! Ser necessária uma palestra para falar sobre os benefícios que o leite representa na saúde humana. Dietas da moda e desinformações passadas por profissionais estão demonizando alguns alimentos sem comprovação científica". Desta forma, Drauzio Varella, um dos médicos mais conhecidos do país, definiu, no evento #BebaMaisLeite, realizado em Belo Horizonte,  a rejeição aos laticínios que vêm aumentando progressivamente. O consumo de leite e derivados caiu no Brasil cerca de 40% nas últimas três décadas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

O aumento de diagnósticos de intolerância à lactose contribuiu para esse declínio. Porém, há uma crença, disseminada inclusive por alguns médicos e nutricionistas, que  o consumo da bebida está relacionado ao aumento no risco de doenças como problemas intestinais, inflamações e até câncer e transtornos psíquicos.  Embora exista uma forte vertente contrária ao consumo de leite, para Drauzio, recomendar restrição ao consumo do leite de origem animal para quem não tem alergia ou intolerância é equivocado.

"As informações atendem a milhares de interesses que não podemos definir. Analisem todos os sites das grandes universidades internacionais e brasileiras vocês não vão ver em lugar nenhum alguém que diga essas idiotices que vocês leem a respeito do leite. A vida tem que ser baseada nas evidencias que temos. Nós não podemos nos basear em boatos que vem de onde a gente não sabe".

Aporte mais barato e prático de cálcio

O médico defende o consumo de leite e derivados como uma das fontes mais práticas para suprir as necessidades do cálcio, alegando inclusive ser a mais barata e de fácil consumo. E acusa as teorias de malefício do leite de estarem prejudicando a população mais pobre, já que poderão ter uma dieta deficiente em cálcio 

"Não consigo pensar numa fonte de cálcio para a criança que seja mais disponível do que o leite. Você tem uma criança que coma um prato cheio de brócolis é muito difícil. Se a criança não tem uma ingestão razoável desses alimentos, o leite é a melhor forma. E você tem que manter essa criança o mais próximo possível de um grama por dia (de cálcio). O leite é a forma mais fácil, mais disponível e mais barata. para a massa da população brasileira, vamos lembrar que 61% dos brasileiros vivem com uma renda familiar de R$ 2.368. Pensar que a família tem uma mulher, um homem e duas crianças, isso dá praticamente R$ 600 pra cada um, para todos os gastos necessários. O leite é o aporte de cálcio mais barato,s e compra por R$ 2. As pessoas que ficam com essas teorias mirabolantes, conspiratórias, não pensam nisso. Não pensam que estão fazendo um desserviço, estão prejudicando a população mais pobre que vai acreditar nisso e vai ter uma dieta deficiente de cálcio. 

De acordo com o médico, na infância a massa óssea está em formação e segue assim até os 20 anos, quando a densidade atinge o pico. A partir daí, é importante iniciar uma prevenção contra danos futuros, pois a estrutura começa a enfraquecer. O organismo refaz o esqueleto inteiro a cada 10 anos e esse processo requer cálcio. No caso de consumo inferior do mineral, o organismo retira dos ossos, já que  99% do cálcio encontra-se ali. Isso resulta em perda óssea. 

"As consequências negativas de uma dieta pobre em cálcio são relacionadas à saúde dos ossos, dentes e ao aumento da pressão arterial. Ele ajuda na prevenção da síndrome metabólica, da prevenção do diabetes tipo 2.  É possível obter cálcio de outras fontes. No entanto, a quantidade ingerida de hortaliças deveria ser maior. (cerca de 400 gramas) O leite é uma fonte de proteína acessível, versátil e de fácil consumo. Não faz sentido retirar do cardápio esse alimento sem um diagnóstico que restrinja o consumo. A bebida ainda é uma das fontes mais importantes de cálcio", garante. 

O médico ainda falou de alguns mitos que envolvem o consumo de laticínios, como a inflamação e o desencadeamento de problemas respiratórios e garantiu: não há comprovação para afirmar que isso ocorre com quem não tem intolerância ou alergia.

"Tem pessoas que garantem que se sentem mal. O melhor que se faz é realizar exames para saber se deve restringir o consumo. O que não pode ser é que médicos e outros profissionais da saúde continuem disseminando mitos e instruindo para a retirada de leite da alimentação sem nenhuma comprovação de que o alimento vá fazer mal para aquela pessoa. Precisa de cuidado com o diagnóstico, porque a pessoa tem um desarranjo intestinal, ta com outros problemas e, pronto, já falam que tem intolerância à lactose.", explica.

Saúde requer cuidados para prevenção

O médico também falou sobre a ideia de ter mais saúde com a eliminação de gordura da dieta. Há mais de trinta anos, países como Estados Unidos e Grã-Bretanha recomendam redução no consumo de gordura saturada, encontrada em alimentos de origem animal, como carnes vermelhas e derivados de leite, sendo hoje essa recomendação já contestada. De acordo com Drauzio, o ideal é consumir todo tipo de alimento, mas sempre com moderação.

"Não há necessidade de se retirar da escolha alimentar um alimento. Nenhum alimento deveria ser excluído. Uma dieta variada deveria ser a escolha de todos. Comer de tudo, mas sempre em porções moderadas. O conselho do prato colorido é válido. Quanto mais variedade na alimentação, melhor", reafirmou. 

Drauzio ressaltou a importância de uma dieta equilibrada e a prática de atividades físicas para a manutenção da saúde e falou sobre o aumento progressivo de casos de diabetes e hipertensão. 

"Diabetes e hipertensão são doenças tão comuns que não se dá a devida importância. Não consideramos doença. Parece que é obrigatório. Não é! A medicina moderna hoje pensa que o envelhecimento não é igual ao adoecimento. Não tem cabimento chegar aos 50 anos e ter diabetes, pressão alta, dor no joelho, obesidade.... Não é o destino da humanidade...
Hipertensão  e diabetes são as maiores epidemias do Brasil.Quando se fala em epidemia, pensa-se logo em AIDS, tuberculose...  No Brasil são 800 mil pessoas com HIV positivo e 12 milhões com diabetes . Com 60 anos de idade, metade da população brasileira tem hipertensão", alertou. 


Nota da blogueira:

Todas as informações relatadas aqui são apenas transcrições do que foi dito na palestra. Como jornalista por formação e atuação, procurei abordar da maneira mais fiel possível o que foi dito por Drauzio Varella. Sei de toda a polêmica que envolve o consumo do leite e que mesmo entre a classe médica há divergência. Acredito que o melhor caminho seja a realização de exames para comprovar a intolerância ou alergia à proteína do leite para que, munido de embasamento, a dieta seja readequada. Compreendo também as motivações de veganos na retirada do leite da alimentação. Para minha vida, eu escolhi consumir leite e derivados. Sou apaixonada por queijos, iogurtes, requeijão, creme de leite, manteiga..... Minha família consome e não temos nenhum problema com esse tipo de alimento. Acredito que essa escolha deva ser consciente, munida de informação e embasada em evidências científicas. Justamente é esta a proposta do blog Eu Curto Ser Mãe. 





O site Beba Mais Leite fornece diversos materiais com embasamento científico a respeito do leite. Para quem quiser fazer uma pesquisa, o link é http://www.bebamaisleite.com.br

A blogueira Carol Oliva fez um vídeo com trechos da palestra de Drauzio Varella 
mostrando os principais mitos sobre o consumo do leite.  



terça-feira, 6 de dezembro de 2016

O que é a Síndrome do ovário policístico e como tratar

16:21 0
O que é a Síndrome do ovário policístico e como tratar
A Síndrome dos ovários policísticos (SOP) é um distúrbio hormonal que atinge cerca de 10% das mulheres. Os sintomas variam, bem como a gravidade, mas alguns são bem comuns como: 
  • Menstruação irregular intervalos menstruais de 35 dias, menos de oito ciclos menstruais por ano, amenorreia (falta de menstruação) por quatro meses ou mais e períodos de menstruação intensa e prolongada
  • Níveis elevados de hormônios masculinos (andrógenos), que podem resultar em características físicas como excesso de pelos faciais e no corpo, acne adulta ou adolescente severa, calvície de padrão masculino
  • Pequenos cistos nos ovários identificados em ultrassonografia.
É comum que as mulheres portadoras de SOP se desesperem, com medo de não poderem engravidar. Mas a síndrome não impede a gravidez, apenas dificulta (em muitos casos, dificulta por anos). Também é normal que pensem que após a gravidez estão curadas e que não precisam se preocupar mais com a SOP, no entanto, sendo uma síndrome nã há cura, apenas controle. 

Muitos médicos recomendam anticoncepcional para "tratar SOP". O que não explicam é que o anticoncepcional apenas mascara os sintomas e que o uso de hormônios combinados aumenta as chances de trombose, embolia pulmonar, AVC e até mesmo morte. Um dos mais famosos nas indicações de ginecologistas é o Diane35, que já protagonizou polêmicas em diversos países e foi inclusive acusado de causar mortes. Então, querida leitora, sugiro que leia mais a respeito, procure se inteirar a respeito do que já ocorreu com quem utilizou, converse e questione o seu médico e pondere bastante a decisão de tomar essa bomba hormonal. 

Os médicos também não te contam que indicam o uso por cerca de seis meses e depois mandam tentar engravidar, tendo o sucesso em alguns casos. Isso porque o anticoncepcional mascara os sintomas e quando se para de tomar, o corpo está "limpo' dos hormônios masculinos e pode trabalhar normalmente, portanto, ovula-se. Mas isso dura poucos meses. Não deveria ser nem chamado de tratamento!

Sendo um problema hormonal, sugiro que o tratamento seja feito com acompanhamento de um endocrinologista. Muitos utilizam, com sucesso, a metformina, um medicamento usado para tratar a diabetes. Na SOP, ela é favorável pois ajuda a controlar a resistência à insulina, ajustando os níveis de glicose. 

Há ainda a possibilidade de indução de ovulação e, neste caso, deve ser sempre feita a indução após a realização de todos os outros exames para ter certeza de que não há outro problema que esteja impedindo a fertilidade. Isso inclui exames no parceiro, a histerossalpingografia na mulher (fundamental!) e todos os outros relatados aqui.
É grande a parcela de mulheres que só se preocupa com a SOP quando quer engravidar. Mas a síndrome não deveria ser vista como apenas um dificultador de fertilidade. Sem tratamento, pode trazer outras complicações como:

  • Diabetes tipo 2
  • Pressão alta
  • Colesterol e triglicérides elevados
  • Níveis elevados de proteína c-reativa, um marcador de doença cardiovascular
  • Síndrome metabólica
  • Esteatose hepática não alcoólica
  • Apneia do sono
  • Sangramento uterino anormal
  • Câncer de endométrio e de mamas, causado pela exposição a altos e contínuos níveis de estrógeno
  • Diabetes gestacional
  • Pré-eclampsia
Portanto, meninas, nada de relaxar com a SOP. Antes, durante e depois da gravidez essa síndrome tem que ser vigiada de perto. Ela pode até ter os sintomas domados, mas não há cura e a qualquer momento pode voltar. 

Aqui neste post, eu coloquei alguns tratamentos alternativos para SOP, mas eu não recomendo que deixem de acompanhar com médicos. É muito sério isso!

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Eu gravei um vídeo que explica direitinho sobre a SOP e os tratamentos. Vejam:



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quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Cuidados na gestação

15:46 0
Cuidados na gestação



Dia 15 de agosto é comemorado o Dia da Gestante. A data, que faz parte do calendário Nacional da Saúde, foi criada para lembrar da importância do cuidado e da assistência à mulher durante esse importante período da vida. O acesso aos serviços de saúde durante a gestação são cruciais para garantir a saúde da mãe e do bebê, e podem ser o fator decisivo para que ocorra tudo bem durante a gravidez, o parto e o pós-parto.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), 830 gestantes morrem todos os dias no mundo em decorrência de alguma complicação relacionada à gravidez e ao parto. A redução das mortalidades materna e infantil é um desafio mundial e mobiliza órgãos e entidades de saúde em campanhas de conscientização sobre a importância do pré-natal e do acompanhamento adequado durante a gestação.

Segundo a médica e diretora técnica do Laboratório Lustosa, Luisiana Vieira, os exames pedidos durante o acompanhamento do pré-natal são uma estratégia muito eficaz de prevenção de doenças e de possíveis complicações que poderiam agravar o quadro de saúde tanto da mãe quanto do bebê.

“Durante o acompanhamento de pré-natal, são solicitados importantes exames para avaliar as condições de saúde da mulher e da criança que está sendo gestada. Cada procedimento avalia uma função ou pode identificar uma alteração específica. Se realizados no período certo e conforme a orientação do médico, os procedimentos ajudam a detectar alterações precocemente e evitar o desenvolvimento de muitas doenças”, explica.

Além dos exames para atestar a saúde física da mulher, aspectos socioculturais também podem influenciar no andamento de uma gravidez. Por isso, a OMS recomenda que a mulher faça pelo menos oito visitas ao médico durante a gestação para a garantia de uma experiência positiva para a gestante e a criança. Mas eu, particularmente, acho fundamental um acompanhamento mensal e, na fase final da gravidez, ter consultas semanais. 

Abaixo você confere os exames laboratoriais e vacinas indicados para a gestante e quais suas indicações. Importante deixar bem claro que o ultrassom JAMAIS DEVE SER NEGLIGENCIADO e que o ultrassom com doppler salva vidas! Peça seu obstetra solicitar sempre com doppler, para garantir que a a vitalidade fetal e conseguir ter um controle de perto da circulação e oxigenação. 

Se você tem histórico de abortos recorrentes, casos na família de pré-eclampsia, parto natimorto e problemas circulatórios, procure saber sobre trombofilia na gestação. 


Exames laboratoriais



●       Tipagem sanguínea e fator Rh

Esses exames permitem verificar o tipo e o fator sanguíneo da gestante. Essa pesquisa é importante para investigar a possibilidade de incompatibilidade entre o fator sanguíneo dela e do bebê.

●       Hemograma

Permite verificar se a gestante está com anemia ou infecções. Também avalia se há deficiência de plaquetas importantes para a coagulação sanguínea.

●       Glicemia e curva glicêmica - Teste oral de tolerância à glicose

Servem para dosar os níveis de açúcar no sangue e para diagnóstico de diabetes e diabetes mellitus gestacional.

●       Exame de urina e urocultura

Avaliam a função renal, além de detectar possíveis infecções e outras doenças que provocam a perda de proteína pela urina.


●       Sorologia para Sífilis e VDRL


Servem para diagnosticar a sífilis, doença que aumenta o risco de parto prematuro e prejudica o crescimento intrauterino.

●       HIV 1 e 2

Atesta se a gestante é portadora do vírus HIV O teste é importante pois, caso o resultado seja positivo, o médico recomendará medidas para evitar a transmissão da mãe para a criança.

●       Testes para hepatite B (HBsAg) e Hepatite C (anti-HCV)

Verificam se a mãe possui a doença que pode causar malformações no feto.

●       Sorologia para rubéola e toxoplasmose

Permite o diagnóstico das duas doenças. Para a rubéola não existe tratamento durante a gravidez, no entanto, a toxoplasmose pode ser tratada, o que ajuda a prevenir malformações fetais.

●       Pesquisa de estreptococo do grupo B

Atesta se a mãe possui a bactéria do tipo pesquisado. Em caso de resultado positivo, uma série de medidas podem ser adotadas para impedir que a criança tenha contato com o bactéria o que poderia causar várias doenças, incluindo meningite e pneumonia.

●       Teste de malária (Para gestantes da região Amazônica)

Verifica se a gestante possui a doença. É indicado apenas para a região Amazônica.

Vacinas


- Gripe: recomendada para todas as gestantes.

- Antitetânica (dT): protege mãe e filho contra o tétano. A gestante que já recebeu a vacina, mas que a última dose tiver sido aplicada há mais de 5 anos, deve receber uma dose de reforço. A gestante não vacinada deve receber a imunização completa.

- Hepatite B: Se não tiver sido vacinada, a gestante deverá tomar as três doses da vacina.


*Fonte: Ministério da Saúde/Caderneta da Gestante e OMS (Organização Mundial de Saúde)

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Risoto de quinoa com palmito, alcaparra e legumes

16:30 0
Risoto de quinoa com palmito, alcaparra e legumes
Na busca pela alimentação mais saudável e pelo baixo índice glicêmico, problema que muitas grávidas enfrentam com a diabetes gestacional, como já venho falando há algum tempinho aqui no blog e avaliando produtos para diabéticos como fiz aqui e aqui.  Pois agora resolvi me aventurar verdadeiramente na cozinha e nesta brincadeira gourmet saudável, vou dividir aqui com vocês, e também no Instagram . E essas receitas servem para todas as leitoras do blog, sejam tentantes, gestantes ou mamães. Tem mulher que precisa emagrecer para poder engravidar, tem gravidinha lutando contra a diabetes gestacional e tem mamãe querendo perder o que ganhou na gravidez. Então, vai ajudar todo mundo.

A receita que fiz foi risoto de quinoa com palmito, alcaparras e legumes. Acompanhando, filé ao molho de shoyo e salgado maromba com recheio de peito de peru com queijo.

Risoto (receita para dois)

Ingredientes:

- 2 xícaras de quinoa mista
- 1 xícara de palmito
- 1 colher de sopa de alcaparras
- 1/2 xícara de cenoura picada em quadradinhos
- 1/2 xícara de ervilhas
- 1/2 cebola média
- 1 copo de vinho branco ou espumante branco
- Azeite para refogar
- 1 colher de sopa de manteiga
- 1 colher de sopa de creme de leite

Modo de fazer:
Refogue a cebola picada como preferir no azeite. Deixe dourar e jogue a quinoa. Acrescente um pouco do vinho, até cobrir a quinoa. Vá colocando a medida que for secando. Depois de terminar o copo, use a água que cozinhou a cenoura para ir regando os grãos até ficarem cozidos. Jogue o palmito, as alcaparras, a cenoura e as ervilhas. Desligue o fogo, antes da água secar por completo. Misture a colher de manteiga e a de creme de leite. Pronto. Só servir e saborear.

O salgado maromba eu vou fazer um post especial sobre ele. Mas para quem já conhece, o da foto usei frago e couve-flor. Volto para contar sobre este coringa que aprendi a fazer. Serve para qualquer hora. Me aguardem que conto já, já....






domingo, 12 de janeiro de 2014

Tapioca? Poooode!

10:58 1
Tapioca? Poooode!
Os ingredientes da delícia e a linhaça na massa para equilibrar
Aquela vidinha de pão integral cansa. E como... E aí voltar ao delicioso pão branco fresquinho pesa na consciência e, literalmente, na balança. Solução para variar? Tapioca! Sim, aquela do nordeste. Feita de goma de mandioca, ela tem apenas 70 calorias (a massa) e o recheio pode variar de salgado a doce, numa infinidade de combinações que deixam o sabor sempre diferente.

O porém é que a delícia é feita de farinha branca e, por isso, tinha sido abolida do meu menu por causa do meu controle com o índice glicêmico. A farinha branca não possui fibras, isso faz com que a glicose (açúcar) entre rápido na corrente sanguínea gerando uma resposta à insulina alta Pois bem, resolvido o problema. Descobri que acrescentar semente de chia ou linhaça à massa é uma alternativa para reduzir o índice glicêmico e, de quebra, incluir ômega 3 na refeição.

A tapioca também tem uma vantagem. O trigo vem sendo apontado como vilão, o ingrediente que agrava doenças do coração, diabetes, problemas intestinais e obesidade. No livro "Barriga de trigo" (Editora Martins Fontes), de Willian Davis, o trigo recebe o status de inimigo da humanidade e depois disso milhares de adeptos da dieta sem trigo espalharam receitas que usam farinha de mandioca, de milho, de linhaça, de quinoa... para fazer pãezinhos, bolos e outras iguarias. O Instagram está cheio deles, como fotos e receitas diárias. Então, as gravidinhas que lutam contra a diabetes gestacional podem aproveitar algumas dessas receitas que passarei a postar por aqui.

Eu preparo com a goma de tapioca, encontrada nos supermercados. Eu compro a que já vem hidratada e pronta para o uso. Não passo na peneira, não. Guardo depois o restante na geladeira para não perder. Deixo esquentar a frigideira e jogo uma quantidade que dê para cobrir o fundo, cerca de uma xícara de goma. Aí misturei a linhaça na massa e joguei junto. Depois de colocar na frigideira (usei antiaderente, sem untar), é só ir apertando com uma espátula, moldando na panela. Depois vira e quando dourar um pouquinho (não deixei ficar muito porque pode ficar puxento) pode virar de novo e colocar o recheio.Quando coloco queijo, gosto de levar a tapioca já pronta ao microondas por uns segundos, só para derreter.

Nas tapiocas salgadas, eu gosto de colocar requeijão light ou cream cheese, um pedaço de queijo branco e tomate e manjericão. Se quiser colocar peito de peru light fica bom também.

 Já nas doces, fiz com geleia zero adição de açúcar, só tem a frutose, natural nas frutas, um punhado pequeno de mixed nuts, com amendoas, castanhas, passas e ameixa,  e pronto. Delícia! A geleia tem cerca de 30 calorias e os nuts também.Não pode exagerar nos nuts, mas um pouco faz até bem.

A dica que vale para gravidas que querem controlar o peso, e eu sei que é difícil demais, para tentantes que precisam perder alguns quilinhos para poder engravidar e para as mamães que estão doidas para voltar a entrar naquele jeans.


terça-feira, 1 de setembro de 2015

Alimentação na gravidez que favorece a circulação

18:45 4
Alimentação na gravidez que favorece a circulação


Como já contei aqui, a gravidez da Iolanda foi muito regrada. Eu não podia correr o risco de ter nenhum outro problema gestacional além da trombofilia e como na gravidez do Francisco desenvolvi diabetes gestacional, a alimentação foi ponto forte no controle. Eu cheguei a ir a um endocrinologista, mas não segui acompanhada por ele, porque minha obstetra estava sempre muito atenta a tudo e pedia todos os exames necessários, além de orientar no que fosse necessário. Mas nem sempre há uma obstetra tão completa como a que me atendeu e se há necessidade de controlar a alimentação na gravidez, é interessante pensar no acompanhamento de endócrino e nutricionista, sim. 

Neste post, vou contar algumas das coisas que incluí na minha dieta. Retirei o glúten ( por causa do alto índice glicêmico porque alguns estudos demonstram que o ele pode prejudicar a circulação, diminuindo o fluxo sanguíneo) 
e o açúcar ( isso desde a gravidez do Francisco e contei aqui neste post quais os adoçantes permitidos e produtos dietéticos) e cortei também fritura. Os grandes aliados para isso dar certo foram a tapioca (leia este post), o pão de queijo, o biscoito polvilho (amiguinhos se glúten). Eu também substituí o arroz por quinoa passei a adorar. Aqui neste post eu dou uma receita de risoto de quinoa.  A quinoa é é fonte de cálcio, ferro e ácidos graxos ômega 3 e 6. Como qualquer cereal, é muito rica em fibras, sendo portanto uma ótima fonte de carboidratos para a alimentação. Além disso, a quinoa possui quantidades importantes de vitaminas do complexo B.

Agora vou dar algumas dicas que melhoram a circulação sanguínea e ajudam todas as grávidas. O corpo durante a gestação mantém-se mais coagulado e para quem tem trombofilia isso é o grande risco, pois acaba-se formando trombos que podem comprometer a passagem de nutrientes e oxigênio para o feto. 


- Vitamina C (frutas, muitas frutas. Mas cuidado com a ingestão da frutose em excesso no risco de diabetes gestacional)


Alimentos que contêm vitamina C e flavonoides juntos (frutas cítricas e silvestres) fortalecem as paredes dos vasos sanguíneos, além de impedir os radicais livres de comprometer a sua resistência. 


- Cebola e mirtilho

A quercetina, flavonoide encontrado na cebola roxa e mirtilo, como sendo muito eficiente na prevenção de vasinhos, tendo ação anti-inflamatória. 

-Abacaxi
A bromelaína, uma enzima naturalmente presente no abacaxi, auxilia na circulação. 

-Peixes, chia e linhaça
Ricos em ômegas, especialmente do tipo 3, esses alimentos ajudam a evitar a formação de coágulos (trombose) e de depósitos de gordura (aterosclerose), aumentando a fluidez sanguínea e reduzindo a pressão arterial. 

- Suco de uva integral
Os flavonoides, ácidos fenólicos e o resveratrol encontrados nas sementes e cascas das uvas, possuem atividades antioxidantes, que contribuem para o efeito cardioprotetor, incluindo a habilidade de inibir as atividades de agregação plaquetária e formação de trombose.

- Alho
Aumenta a fluidez sanguínea. Use para temperar ou coma puro. 

>>>>>>Mude os hábitos!
Evite consumir gorduras saturadas e trans, pois elas irão se depositar em forma de placas nas suas artérias e veias, dificultando a passagem do sangue. Evite os alimentos industrializados, pois são ricos em sódio. 

>>>>>> Repouso na gravidez
A menos que você tenha indicação para fazer repouso, não faça. A gravidez já prejudica a circulação em todas as mulheres, pelo aumento dos níveis de estrogenio. O sedentarismo prejudica a circulação sanguínea. Movimente-se mesmo que em caminhadas leves. Gravidez com trombofilia não tem indicação para repouso. Até prejudica! 

>>>>>>>> Beba muita água!
A grávida precisa de mais água para que o corpo dê conta de tantas mudanças. Ande sempre com uma garrafinha e aumente o seu consumo normal.


domingo, 28 de maio de 2017

Pré-natal bem feito inclui diversos exames

09:30 0
Pré-natal bem feito inclui diversos exames

No dia 28 de maio é celebrado o Dia Internacional de Luta pela Saúde da Mulher e o Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna. Mesmo com alguns avanços, a mortalidade materna ainda é um problema de saúde pública no Brasil. Segundo dados do Ministério da Saúde (ver aqui), são registrados anualmente mais de 60 mil casos de óbitos ocorridos até 42 dias após o término da gestação, sendo cerca de 6 mil somente em Minas Gerais.

A morte de uma mulher grávida, no parto ou no puerpério, pode indicar uma série de falhas. Várias delas poderiam ser evitadas com uma assistência pré-natal adequada e de qualidade. No entanto, com a evolução dos métodos diagnósticos e com a mudança contínua no panorama das doenças, vários novos procedimentos estão disponíveis, dificultando o entendimento a respeito de quais exames são necessários e em que período da gestação devem ser realizados.

De acordo com a diretora técnica do laboratório Geraldo Lustosa, a médica patologista clínica Luisane Vieira, a finalidade principal da assistência pré-natal é garantir a saúde da mãe e do bebê durante toda a gravidez e o parto, identificando situações que possam aumentar o risco de desfechos desfavoráveis. “A abordagem de cada gestante tem que ser baseada no risco gestacional, nas características da população rastreada, na prevalência das doenças mais comuns e na avaliação das evidências disponíveis”, explica.

Dentre os exames disponíveis para avaliação do risco gestacional para o binômio mãe-feto, estão o diagnóstico de doenças intercorrentes como anemia e infecções; a identificação de possíveis malformações fetais; avaliação de risco de prematuridade e complicações perinatais; a prevenção de complicações neonatais (ex, doença hemolítica perinatal); e a triagem e diagnóstico de complicações da gravidez, como pré-eclâmpsia, trombose e diabetes.

“É importante que as mulheres saibam quais são os exames disponíveis e conversem abertamente com o seu médico para que ele possa avaliar a necessidade de realização de cada um deles”, destaca Luisane.

Veja abaixo alguns dos exames para avaliação da saúde materna/fetal:

·         Hemograma ⟹Anemia (ferropriva)
·         Glicemia ⟹Diabetes Gestacional
·         Grupo Sanguíneo ABO e Rh e Coombs Indireto ⟹ Doença Hemolítica Perinatal
·         Triagem não-treponêmica ou treponêmica⟹Sífilis
·         Sorologia IgM e IgG⟹Toxoplasmose
·         Sorologia CMV ⟹ Citomegalovírus
·         Sorologia IgM e IgG⟹Rubéola
·         HBsAg⟹Hepatite B
·         Triagem sorológica ⟹HIV
·         Urina de Rotina e Urocultura ⟹Infecção Urinária e Bacteriúria Assintomática
·         Pesquisa de infecções vaginais e cervicais⟹Streptococus β-haemolyticus do grupo B (Estreptococo Grupo B ou EGB)
·         NIPT (Teste Pré-Natal Não-Invasivo em Sangue Materno) ⟹ Síndromes Genéticas


Ultrassom na gravidez

As ondas sonoras que o aparelho de ultrassom emitem se chocam com a parte sólida do que encontra pela frente, assim forma imagens. Esse exame é inofensivo para mamãe e bebê , por isso, não se preocupe se precisar fazer mais ultrassons na gravidez.

Infelizmente, um pré-natal feito pela unidade publica de saúde tem como meta três a quatro ultrassonografias durante a gravidez, 1 a cada trimestre. Essa quantidade não é ideal para monitorar uma gravidez que possa desenvolver algum risco.  Por isso, se for possível, faça particular outros ultrassons (principalmente com doppler). 

Estes são os exames de ultrassom básicos durante uma gravidez:

Com 7 semanas: determina  a idade gestacional e quantidade de embriões e se estão bem posicionados no endométrio. .

Com 12 semanas: exame de Translucência Nucal que detecta possíveis problemas cromossômicos 

Com 20 semanas: Neste ultrassom morfológico é verificado cada parte do feto e  o funcionamento dos órgãos internos como bexiga, estômago, coração e rins. A placenta também é examinada nesse exame de ultrassom.

Com 27 semanas: Ultrassom feito com doppler para verificar a  circulação do sangue,  oxigênio e nutrientes que vão para o bebê.


Com 33 semanas: ultrassom que verifica a quantidade de liquido amniótico se o crescimento do bebê está adequado para a idade gestacional e se já está em posição cefálica ou seja, virado de cabeça para baixo preparado para o nascimento.

No terceiro semestre, o ideal é que fosse feito um ultrassom mensal com doppler em todas as grávidas. Lamentavelmente, não é a realidade obstétrica. O doppler, muitas vezes feito com 27 semanas, é um indicativo de que algo pode não ir bem, mas não é definitivo. Há mudanças na circulação sanguínea e o doppler só certifica por cerca de 15 dias. Por isso, eu recomendo que todas as gestantes solicitem essa tecnologia em todos os ultrassons que forem feitos e, em especial, no fim da gestação intensifiquem a ida ao ultrassonografista COM DOPPLER. 


Veja esta entrevista que fiz com o dr. Selmo Geber, da Clínica Origem:





segunda-feira, 14 de julho de 2014

Iolanda, o sonho real

23:23 47
Iolanda, o sonho real
Depois que tudo que eu acreditava ruiu com a morte de Francisco, meu filho, com 38 semanas gestacionais, um dia antes da data prevista para o parto, mesmo sem querer fazer mais nada, decidi engravidar novamente. Foi uma difícil decisão. Ou eu terminava de me enterrar em tristeza e dor, findando o corpo sem alma, ou abria espaço para uma nova vida para que eu pudesse ressuscitar. Olhando o que sobrou, pouca coisa me prendia de fato. Porém, o amor da minha mãe, de meu marido e de meus filhos peludos foram determinantes. Enquanto pensava sobre o que fazer, ou esperava coragem para fazer algo, fui atrás de um real diagnóstico para 

Descobri a trombofilia, por meio de uma investigação de exames genéticos, uma doença que deixa meu sangue mais coagulado do que o normal e em algumas situações, como a gravidez, isso se agrava. Eu poderia ter tido um AVC, uma embolia, um infarto. Mas o que tive atacou meu bem maior e meu pequeno filho foi privado de oxigenação, possivelmente por causa de trombos na placenta e no cordão. A gravidez fora mesmo negligenciada pelo obstetra que nos (des)acompanhou. Ele teria que ter notado os indícios de que não estava normal e ignorou. O que causa esta doença, no meu caso, é uma mutação. Uma mutante da dor. Diante disso, existe possibilidade de ter um filho biológico? Eu buscava respostas e tentava entender o que representa essa condição de mutante. Nesta altura, eu já havia conhecido um grupo com mulheres trombofílicas e via que muitas tinham passado pelo mesmo que eu; e que outras tantas venciam a trombofilia com as chamadas "picadinhas do amor", as injeções de heparina, anticoagulantes que permitem fazer brotar a vida onde só se vê dor. 

Enquanto eu chorava, eu caminhava. Enquanto me mandavam ler livros de auto-ajuda e espiritualismo barato (não, obrigada!) eu lia artigos científicos publicados pelo mundo e estudava, pesquisava, revirava tudo que pudesse me dar uma resposta REAL sobre o que aconteceu com meu filho e, ao mesmo tempo, nortear meus próximos passos. Eu tinha que saber onde estaria pisando. Paralelo a isso, outra luta a ser travada, a da fertilidade em si. Portadora da Síndrome do Ovário Policístico, não ovulo naturalmente todos os meses. Foi o que causou uma busca de dois anos pela gravidez do Francisco. E agora eu demoraria mais dois anos? Me recusei! Eu estava entre dar vida ou morrer, não é mesmo? Não poderia, e não queria, esperar mais nada. 

Apenas um fio de esperança ainda restava em mim. E fui buscar, então, um tratamento para ajudar meu corpo a ser fértil. Ciente de todos os riscos que essa empreitada representava, topei iniciar a busca pela nova gravidez apenas três meses após ter passado por uma cesariana. E cinco meses após enterrar meu filho amado, eu consegui. Impossível não ter medo. Eu fui tomada por ele, jogada no chão. Sim, havia um outro bebê e ele sobreviveria? E eu suportaria ver um outro filho meu morto? Não! Desta vez eu morreria junto, jurei. Era minha última chance. Como um bicho, resolvi que chocaria em paz, em silêncio. Me preservei e contei para o mínimo de pessoas possível. E a gravidez progredia. Até que meu corpo pediu pausa. A dor do corte da cesariana se esticando, a exaustão emocional e física, a perturbação psicológica se uniram a um problema detectado em uma válvula em meu coração que estava realizando seu trabalho mal (mas que bela porcaria de corpo eu tenho!) e me deixando sem ar ao mínimo esforço. Fui afastada do meu trabalho antes de completar quatro meses de gravidez e, por isso, quem me viu até essa época nem sonhou que eu guardava um segredo e um tesouro. 

Nessa altura, eu já brigava com a alimentação, cortando tudo, e mais um pouco, por causa da diabetes gestacional. Eu comia sem sal, sem açúcar, sem gordura, sem glúten. A água foi liberada, rs. Ah, tem também um hipotireoidismo controlado e um fator RH negativo, com sangue positivo do marido, e mais um ato negligente do dr. Monstro de não me vacinar após o parto do Francisco, colocando em risco outros filhos meus que poderiam ser considerados invasores neste corpo bichado, a chamada eritroblastose fetal. E o pulso ainda pulsa! 

Contra nós, quase tudo, inclusive o preço dos medicamentos que eu precisava tomando e que, felizmente, teve GRANDE ajuda do primo de meu marido (salve, salve, Rodrigo! Gratidão eterna!). Pois bem, cama, remédios, exames, dois obstetras, ultrassom quinzenal, comida sem graça, monitoramento constante, choro, pânico e crescia em mim a vida. Por conta de tamanha monitoria, soube bem cedo (11 semanas, menos de três meses) que teria uma menina. Relutei um pouco a comprar lacinhos e fru-frus, mas, aos poucos, a pequena bailarina foi tomando conta do seu espaço em meu coração e no quartinho que havia montado para o irmão. Iolanda, foi o nome escolhido anos antes, junto com Francisco. A cada exame uma vitória: Iolanda crescia, engordava e ganhava força. E logo foi possível sentir esta força. Chutes me diziam constantemente: mamãe, estou viva! 

O medo? Ah, esse passou a fazer parte de mim. Chorei TODOS os dias de minha gravidez, seja pelo luto recente e eterno de enterrar um filho, ou pelo pavor de pensar que a situação poderia se repetir. Mas eu precisava lutar e, desta vez, ser o que muitos acham que eu já nasci sendo: forte. Diante da morte do Francisco eu não fui forte. Não existe isso! Não escolhi viver aquilo. Mas com relação à Iolanda, eu precisava ser. Eu tinha colocado aquela pequenina na grande enrascada de sobreviver em meu corpo. Ela dependia de mim. E ela ia conseguir. Eu dizia a ela diariamente: lute daí que eu luto daqui. E da-lhe remédio! Tudo contra e o amor a favor. Mamãe Maravilha! Sou eu! 

Iolanda chegou com a única missão de ser. Ser o que quiser, apenas ser. E embora tenha papel determinante na vida de seus pais, ela não é tapa-buraco, restituição, substituta ou algo do gênero. É a nossa filha, a irmã do Francisco, e, como irmã, ocupa o espaço dela, jamais o dele. Ou alguma outra mãe precisa retirar um dos filhos para dar lugar ao novo? Iolanda, a nossa bailarina, nossa gatinha, nossa princesa, nosso raio de sol, nossa vida. Vencemos a Síndrome do Ovário Policístico, a trombofilia, o hipotireoidismo, o risco da eritroblastose fetal (pelo RH negativo), diabetes gestacional, refluxo da válvula mitral, corte da cesariana recente, medo, trauma, angústia, dor, tristeza, sufoco, caos, breu.

Eu escondi a minha gravidez dos curiosos. Apenas os amigos mais próximos ficaram sabendo. Eu não me senti segura para alardear e expor a mim e à minha família a julgamentos, cobranças de felicidade (foi uma felicidade dividida com tudo que já disse. Impossível seria sorrir com a alma, que nem estava presente), expectativas e curiosidades, acima de tudo. 

Houve quem escondesse os filhos de mim após eu perder meu filho. Imaginaram que eu poderia "agorar" a criança, botar olho gordo, desejar mal. Sim, fiquei sabendo. Me convidar para aniversários de criança, chá de bebê e batizado, vixe, esquece. Quem quer a imagem da má sorte em meio a alegria? Houve, ainda, quem dissesse, e afirmasse, que eu saí de circulação (já que estive enclausurada por meses) porque eu estava doida. Fiquei sabendo também. E houve quem disse coisa muito pior que nem quero saber. Eu estava era ocupada com minha família.

Francisco segue sendo amado. Iolanda fez uma total transformação em minha vida. Eu iniciei o meu renascimento tendo em mente que aquilo que um dia fui, jamais voltarei a ser. E se metade de meu ser se foi com meu filho, o que restou passa neste momento a ser integralmente de Iolanda. Por ela eu viverei, comemorarei cada dia seu de vida, conhecerei novas formas de ser e de estar aqui neste mundo que, para mim e pra ela acaba, de começar.

A trombofilia pode ser vencida, tendo um acompanhamento gestacional severo (que inclui exames de sangue para verificar a coagulação sanguínea e ultrassom com doppler constantemente). O uso das heparinas (as chamadas picadinhas de amor) são a luz no fim do túnel para milhares de mulheres que sofrem aborto recorrente, perda gestacional tardia, pré eclampsia, bebê com baixo peso, descolamento de placenta. A trombofilia nem sempre se anuncia. Pode ser silenciosa, sendo necessário um olhar clínico apurado do médico para que detecte durante a gravidez, sem exames, que algo não vai bem. Portanto, todas as grávidas deveriam ser submetidas ao ultrassom com doppler durante toda a gravidez. Fazer um único e relaxar não adianta. O doppler garante a vitalidade fetal por no máximo 15 dias. Ele é o instrumento que pode salvar vidas e prevenir muita dor. 

Ps- foto tirada 4 dias antes do parto. Engordei 7 quilos ao todo. Mérito meu. Inchei zero. Mérito do tratamento. Viva a santa heparina!


No vídeo abaixo, eu conto como foi esta caminhada até ter o colo preenchido por Iolanda. 



terça-feira, 20 de maio de 2014

Alterações nos olhos durante a gravidez

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Alterações nos olhos durante a gravidez

Das muitas mudanças e desconfortos sofridos durante a gravidez, os problemas oftalmológicos são os menos falados. Mas nem por isso, menos importantes. Os mesmos hormônios que causam enjoos, dores de cabeça, manchas escuras no corpo e rosto podem ser também responsáveis por, por exemplo, mudança de grau nos óculos de gestantes.  A maioria dos problemas é transitório, porém, é bom ficar atenta e relatar ao seu obstetra para que ele avalie se há razão de se preocupar. Conheça alguns desses problemas :

Mudança de grau

Durante a gravidez e nos próximos meses após o parto pode haver uma modificação no grau do óculos ou da lente de contato, influenciado pelos hormônios. Muitas gestantes passam e enxergar mal durante o período, mas isso pode voltar ao normal em alguns meses. Verifique com o oftalmologista se a mudança é significativa e requer adaptação das lentes. 

Olhos ressecados

Mais uma vez os hormônios são os culpados e as grávidas podem sentir os olhos secos,  ou mesmo coceira. Isso acontece pela evaporação excessiva e é temporário. Pode ir e vir durante a gestação, mas tende a desaparecer após o nascimento do bebê. Não use colírios sem consultar o obstetra. Alguns podem prejudicar o neném. Uma boa dica é usar soro para limpar os olhos. 

Sensibilidade à luz

Algumas grávidas podem ter crises de enxaqueca fortíssimas e com isso ter problemas de sensibilidade à luz . É um problema para ser levado ao médico, pois os analgésicos são restritos durante a gravidez e devem ser liberados somente pelo profissional que te acompanha.


Alerta!!!!

Se você notar manchas no campo de visão, fale imediatamente com o seu médico. Isso pode ser um indicativo de pressão alta ou mesmo pré-eclampsia. A diabetes gestacional também pode causar manchas escuras na visão. Não perca tempo, portanto!




terça-feira, 18 de outubro de 2016

O que é trombofilia e como diagnosticar?

22:08 2
O que é trombofilia e como diagnosticar?

A Trombofilia é uma condição que promove alterações na coagulação sanguínea. Esta foi a causa da morte de meu primeiro filho, Francisco, e me levou a uma batalha para ter Iolanda comigo (leia aqui) . Nesta postagem, vou falar de uma maneira mais ampla desta condição. 

São vários tipos de trombofilia divididas em dois grupos: adquiridas e hereditárias (eu tenho mutação MTHFR C667T homozigoto (nos dois genes). Para descobrir se tem trombofilia é necessário fazer uma investigação. A maioria dos médicos só solicita essa análise depois de algum episódio trombótico. Eu não concordo com essa conduta e é algo que eu gostaria que fosse obrigatório. 

Não é apenas durante a gestação que a trombofilia se manifesta. O uso de anticoncepcionais combinados (mais de um hormônio), por exemplo, coloca em risco mulheres que têm essa condição. Reposição hormonal, viagens longas de avião, cirurgias e pós-operatório são outros fatores que podem ocasionar problemas sérios como embolia pulmonar, AVC, trombose. 

Veja quais são os principais exames*

Trombofilias hereditárias 

- Mutação do Fator V de Leiden (R506Q)  
- Mutação do gene da protrombina (fator II- G20210A) 
- Deficiência da Antitrombina 
- Deficiência da proteína C 
- Deficiência da proteína S  
- Mutação do gene da metilieno tetrahidrofolato redutase – (MTHFR) - (Variantes 677C>T e 1298A>C)
- Aumento do fator VIII (estudos recentes) 
- Fator IX e XI elevados(estudos recentes)
- Fator XIII (Fator XIII Val-34-Leu) – estudos recentes
- Polimorfismo no gene beta-cistationina sintetase 
- Hiperhomocisteinemia - 
- Mutação PAI­‑1 675G>A (4G/5G) e 844A>G (estudos recentes)  
- Níveis elevados do Fator de von Willebrand (F vW) – ainda em estudo

Trombofilias adquiridas 
- Anticoagulante lúpico - 
- Anticorpos anticardiolipina -
- Anticorpos antifosfatidilserina –  
- FAN (fator antinuclear) - 
-  Anticorpos anti- beta-2-glicoproteína 1 - 
- Anti-fosfatidil-etanolamina -
- lipoptn (a) -


A presença dessas alterações no sangue das mulheres sugere causas imunológicas e/ou trombofilias. 

Histórico familiar

É importante relatar ao seu ginecologista antes mesmo de engravidar a respeito de casos familiares relacionados a coagulação. Nem toda mulher que teve trombose tem trombofilia, mas isso é um dado que não pode ser ignorado. Casos de aborto recorrente, pré-eclampsia, bebês com restrição de crescimento também devem ser relatados para que o médico tenha elementos para a investigação das trombofilias. 

Obesidade, tabagismo, sedentarismo, diabetes, pressão alta, doença oncológica e uso de anticoncepcionais não podem ser esquecidas. Todos esses são fatores de risco que podem desencadear eventos trombóticos. O médico deverá traçar o perfil genético da paciente, associado ao estilo de vida. Mas apenas os exames darão respostas exatas. 

Gravidez e trombofilia

A gestação por si só pode ser considerada um fator de risco para eventos trombóticos, pois o corpo encontra-se em estado de  hipercoagulabilidade do sangue. Para mulheres que têm trombofilia, o quadro pode se agravar. A trombofilia pode causar abortos recorrentes, restrição de crescimento fetal, descolamento de placenta, pré-eclampsia, Síndrome Help  e o óbito fetal em qualquer idade gestacional. Há estudos relacionados à dificuldade de implantação do embrião e, com isso, a falsa ideia de problemas de fertilidade. 

Uma gravidez saudável depende da circulação útero-placentária. O tratamento com anticoagulantes aumenta em mais de 80% as chances de sucesso de uma gravidez de trombofílica. O tratamento é feito com  heparina de baixo peso molecular,  que não atravessam a barreira placentária. O Ácido Acetilsalicílico (AAS, Aspirina...) também é comumente usado em um tratamento isolado ou conjunto com a heparina. 

A heparina mais famosa é a Clexane. Esta é apenas uma marca, registrada por um laboratório. Existem outras marcas no mercado bem mais baratas. Eu fiz uma postagem sobre isso aqui. O Estado fornece as heparinas, mas em cada local o procedimento é de uma forma para conseguir. Aqui em eu conto como consegui em Belo Horizonte


Ultrassom com doppler

O ultrassom com doppler é importantíssimo para qualquer grávida. QUALQUER UMA! Até porque, muitas trombofílicas só irão descobrir essa condição depois de uma complicação, visto que os exames não são obrigatórios e nem facilmente pedidos pelos médicos. Eis aí a grande importância do ultrassom com doppler.  

Ele avalia a vitalidade do bebê. Verifica o fluxo de sangue e de oxigênio para o feto e para a placenta. Indica se vai tudo bem com as artérias uterinas. Alterações no doppler também podem indicar problemas de hipertensão ou pré-eclâmpsia.

Para quem tem trombofilia é fundamental a realização de todos os ultrassons com doppler. Eu fiz desde o primeiro. Mas importante mesmo é que no segundo e terceiro semestre seja com doppler. Todos? Sim, todos! E de preferência com o mesmo ultrassonografista. Aproveito para deixar aqui a minha indicação, pra quem é de BH, para a clínica Sonar e, especialmente, o dr. Paulo Roberto Massahud (leia aqui a minha experiência). 

Importante dizer que não basta fazer um ultrassom com doppler e relaxar. A maioria dos médicos faz isso (com o Francisco o médico-monstro agiu exatamente assim, pedindo apenas um com 27 semanas). Não adianta! O doppler garante a vitalidade fetal em torno de 20. 

Exijam dos seus médicos que o ultrassom seja SEMPRE com doppler. Mesmo se ele disser que não precisa. Mesmo se ele não quiser. Fale que VOCÊ quer. É importante para você e o seu bebê e, acredite, pode salvar vidar!