segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Mãe de UTI

Postado por Misturinha de Ideias às 08:00

Quem foi mãe de uti sabe como é complicada a temporada de quem necessita passar neste lugar. Sabe a loucura que é cada dia, cada visita, cada palavra do médico. Cada saída, cada chegada.
Mãe de uti não dorme direito, come qualquer coisa (quando come) e tudo que faz é ficar perto da cria olhando. Quando não pode tocar, olha e torce. Fala, sussurra, reza, vibra, dá passe, faz oração, chama o nome de todos os santos. Reza pelos médicos, pelas enfermeiras, pelas assistentes, pelo hospital inteiro, pela humanidade. Lê todos os salmos, faz força com o pensamento, vê anjos em volta da incubadora. Aceita todas as religiões, toda força que vier positivamente é muito bem-vinda.
Quando toca seu bebê tenta passar toda sua força, até mesmo sua vida através de sua mão, tenta doar algo para tirar sua criança dali logo e tê-la consigo.




Se você  conhecer uma mãe de uti, não precisa dizer muita coisa, não precisa perguntar muita coisa, só diga que logo ela estará em casa com seu bebê. Mesmo que a situação seja a mais complexa possível, isso é o melhor a dizer, porque esperança de mãe de uti é a última a morrer. Enquanto bate o coração, mãe de uti espera tudo de volta.

Mãe de uti não descansa, não lembra de comer, não conversa sobre outra coisa. Tudo que ela pensa dia e noite é: "Quero minha criança nos meus braços hoje, bem longe daqui".
Médicos, não perguntem a uma mãe de uti até que ponto ela sabe o que está acontecendo. Cheguem e falem logo. O suspense que existe nas visitas é sufocante, cada passo do médico em sua direção é visto como em câmera lenta, e a cada plantão ela precisa ficar repetindo a mesma história, isso é desgastante. Larguem esses protocolos!

Muitas vezes mãe de uti fica sozinha com sua esperança, pois todo mundo já não vê mais chance. Deixem-na ir em todas as visitas, deixem-na entrar.

Mãe de uti aprende a lavar das mãos até o cotovelo, a não tocar em nada depois, a andar com braços dobrados empurrando portas com os quadris, e vive cheirando a álcool gel. Seus olhos são atentos a cada medida tomada pelos profissionais dentro da sala. Seus olhos são atentos às máquinas, números, sondas, horários, suas perguntas são infinitas. E sempre pedem um exemplo de alguma criança que esteve assim e se salvou. Se sentem mais conhecedoras de suas crias que a própria medicina. Deixem-nas. Seus corações aceleram a cada visita que não podem fazer por motivo de intercorrência com algum dos outros pequenos pacientes.

Mãe de uti não acredita mentalmente quando o médico diz que o bebê piorou, exclui a informação da mente, repreende, acha que é tudo exagero. Mesmo que o coração aperte sentindo que é real. Aliás, não tem como distinguir o que é real. É um estado emocional que te deixa fora do corpo, ora está no médico, ora está na criança, ora está em um aparelho...seu ser muda de lugar a todo momento.

E elas também comemoram cada bebê que vai pra casa, choram a dor de outras mães que não tiveram a mesma sorte, como se fosse sua própria criança. Sentem medo, sentem vontade de que aconteça o mesmo com elas e também possam sair. E por vezes se perguntam porque não foi sua vez. Mas não há um pingo de maldade em seus pensamentos, porque elas jamais desejam o mal para obterem o bem (nem teriam tempo para isso). Elas querem que todas crianças saiam, e até convivam, sobreviventes daquele lugar numa grande festa de 1 aninho.

Ofereçam abrigo a uma mãe de uti, deem colo, coragem, contem casos de sucesso, dirijam por elas, cuidem de suas casas,  isso é o que realmente funciona com uma mãe nesta situação. Esta mulher nunca mais será a mesma. Independente se sai dali com os braços preenchidos ou não.

Aline Amorim




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