terça-feira, 13 de setembro de 2016

Precisamos falar sobre pedofilia!

Postado por Letícia Murta às 23:50
Teatro apresentado na abertura do evento
Participei do workshop Nós, realizado pelo Padecendo no Paraíso, no hotel Mercure Lourdes, que tratou sobre a prevenção dos crimes relacionados à pedofilia, e posso garantir que muito além da revolta, saí de lá motivada a disseminar informação sobre o assunto. O evento contou com uma palestra esclarecedora do promotor de justiça Casé Fortes, que term forte atuação contra os crimes de pedofilia (incluindo participação na CPI da Pedofilia e coordenação do movimento "Todos contra a pedofilia"). Do muito que ouvi, e absorvi, uma das coisas que considerei mais importante foi que quem tem que ter medo é o criminoso, não nós, pais e cuidadores. São eles que devem temer e saber que tem adulto atento, tem supervisão, tem  apoio à criança. E o silêncio em torno do tema só é interessante ao criminoso. Ele não previne a pedofilia e não protege nossas crianças. O silêncio beneficia o crime! Então, vamos falar sobre pedofilia e romper o silêncio. 

Não é fácil falar sobre o assunto. Não, de jeito nenhum. Durante a palestra do Casé, eu tive que respirar fundo diversas vezes. E quando ele relatou o caso de uma menina de dois anos que foi abusada desde que nasceu pelo pai e acabou morrendo, eu tive que me retirar do auditório para chorar. Dois anos. A idade da minha filha, da minha Lola. Não consigo conviver com a dor de saber que isso existe. A pequena morreu vítima de um misto de responsabilidade da família, da sociedade e do Estado. Parentes e amigos sabiam dos abusos sexuais e a própria mãe tinha consciência. Mas ninguém ousava enfrentar o criminoso e o bebê ficou vulnerável à maldade do pai e à covardia dos demais. Quando finalmente alguém teve coragem de denunciar, a polícia não conseguiu prender o criminoso e a criança foi para um abrigo. Passados três meses no abrigo, chegou Natal e tiveram a infeliz ideia de liberar a pequena para ir para a casa festejar a data com a família (família??? oi???). Estando o pai em liberdade e sendo a mãe conivente, adivinhem... O maldito estuprou a criança até causar sua morte. No julgamento deste demônio, a mãe (pra mim, não menos demoníaca) ainda tentava achar justificativas para defender o monstro. Sim, estou sendo parcial, adjetivando, fazendo juízo de valor. Tudo que aprendi como jornalista a não fazer. Mas não consigo falar disso de outra maneira aqui no blog. Jornalismo de lado e maternidade saindo pelos poros. Imperdoável. Injustificável. Absurdo.


Com o promotor de justiça Casé Fortes #todoscontraapedofilia
Neste caso tão revoltante, temos que questionar todas as pessoas e instituições que deveriam ter protegido a pequenina e falharam. Mãe, parentes, vizinhos, amigos, Polícia, Estado. Todos culpados! No Brasil, o número oficial  de abuso sexual infantil é de cerca de 25 mil novas denúncias por ano. Mas acredita-se que este número seja muito maior, já que há casos que não são denunciados por negligência dos cuidadores ou por desconhecimento de que a criança esteja sendo abusada. Mesmo assim,  pouco mais de 2.300 abusadores cumprem pena no país (vi esses dados em reportagem do Fantástico). Impunidade! Precisamos ou não falar sobre isso? Nosso silêncio só favorece que essa situação se perpetue!

A pedofilia sempre existiu

Infelizmente, os abusos sexuais são uma realidade há tempos. Casé Fortes lembrou que há relatos históricos de abuso e erotização infantil. O promotor também deixou claro que há uma diferença enorme entre ter desejo/atração por crianças (ser pedófilo) e consumar o crime. Muitas pessoas sentem essa atração, mas não fazem nada com ela, por saberem que isso irá prejudicar outra vida. O pedófilo que abusa sexualmente de menores é um criminoso e tem exata noção disso. Ele não é um doente mental. Ele sabe que está cometendo um crime e mesmo assim, assume o risco. 

Nem sempre o abuso de crianças foi considerada crime. Ainda hoje, em alguns locais há a cultura de o pai ter direito a tirar a virgindade da filha (horror!). Há ainda o turismo sexual infantil, naturalizado em diversas regiões, e que ocorre com o consentimento dos pais ou responsáveis pela criança. Isso é real! Em alguns casos, as crianças são convencidas de que estão fazendo o que é correto. Elas têm a infância corrompida. A conivência da sociedade, acredito eu, é o grande responsável para que essa situação exista de forma tão ampla e perversa. 

Ainda hoje, existem organizações fora do Brasil que incentivam o abuso sexual infantil e lutam para que a pedofilia não seja considerada um crime. Acreditam? Verdade! 

Como proteger nossos filhos

O pedófilo tende a surgir preenchendo alguma necessidade da criança, ganhando sua confiança e, então, atacando. Usa depois do medo para que não seja denunciado. A orientação dos pais para toques e carinhos inadequados. Acho que como pais não podemos chegar á histeria. É com calma que vamos proteger os pequenos. Proibir o convívio social não acredito que seja a solução ou encarar todas as pessoas como possíveis pedófilos, Mas devemos, sim, ter um olhar apurado para pessoas que possam apresentar potencial risco. Conversar abertamente com as crianças eu acho que é sempre um bom caminho. Não podemos deixar os pequenos demasiadamente assustados e com medo de todos. Mas é necessário que o assunto seja falado e que, na medida da curiosidade e perguntas, sejam dadas respostas claras. 

Acho importante que tenhamos em mente que nem sempre é um desconhecido que vai abordara nosso filho no meio da rua e abusar dele. Para grande tristeza, boa parte dos abusadores de crianças são pessoas próximas: professores, pais, tios, avós, amigos, vizinhos. É triste demais isso! E é por essa razão que acho importante conversar muito com os pequenos. Sem alardear! Mas que fique claro que alguns toques são perigosos e que devem ser relatados imediatamente. Note sinais de repulsa da criança com relação a alguém. Converse e sempre deixe claro que você está disponível e que ficará ao lado dele em qualquer situação. Gosto do formato desses vídeos que postei abaixo. 






No Workshop Nós, as crianças participaram em outro ambiente e, de forma lúdica, também receberam informações para se protegerem. Tive notícias de que eles adoraram e, certamente, saíram com mais chances de conhecerem os riscos e pedirem socorro caso sejam vítimas de pedófilos. 






Agradeço imensamente à Bebel Soares, do Padecendo no Paraíso, pelo convite para estar presente neste evento. Foi muito importante para minha atuação como mãe e como jornalista. Deixo aqui o link do Padecendo no Paraíso com o agradecimento aos patrocinadores do evento. Como disse Bebel, foram muitos "nãos" ouvidos porque as empresas, embora reconhecendo a importância do tema, não queriam vincular a marca ao assunto. Poxa vida! Felizmente, outras marcas foram corajosas e entenderam que cuidar da infância envolve o tema pedofilia e a prevenção aos crimes. Faço questão de colocar aqui quais são elas:

Vaquinha das Padês (são as participantes do grupo Padecendo no Paraíso)
Mercure Lourdes
Sair do Casulo
Aptta-Potencializando talentos femininos
4S Imóveis
Ninho Fases
Corre Cutia
Festeira

Podem ter certeza de que daqui por diante este tema estará presente aqui no Eu Curto Ser Mãe. Vamos falar mais sobre a prevenção para que nossas crianças, todas elas, estejam seguras. 








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