terça-feira, 13 de setembro de 2016

Mamãe, como eu entrei na sua barriga?

Postado por Sonia Oli às 23:48



Você, mamãe, já foi surpreendida com pergunta parecida? Pois é. Eu já. Há quem fique constrangido, pois trata-se de um assunto delicado. Na primeira vez que eu ouvi, eu não tive tempo hábil para elaborar uma resposta, muito menos de ficar com vergonha, mantive minha cara normal e logo soltei: “Foi pela união de uma célula da mamãe com uma do papai.” – E para não dar brecha para outras perguntas que eu sei que não vou saber responder, eu sempre conto de um jeito divertido com caras, bocas e gestos malucos. Criança adora isso! “No início você era uma bolinha minúscula que só podia ser visto no microscópio. Depois você foi crescendo e ficou do tamanho de uma semente de feijão.” – Neste momento eles riem muito e fazem comentários engraçados. – “Depois foi formando as perninhas e os bracinhos. O coração já até batia. E ao longo dos meses você foi crescendo e ficando grandão e lindo. Você lá dentro mexendo, me chutando e eu aqui fora te amando cada vez mais e ansiosa pela sua chegada. Eu precisava deixar tudo pronto para te receber. Roupinhas, quarto, banheira, um montão de coisas. Então depois de nove meses você chegou nesse mundão, porque você cresceu tanto que lá dentro ficou apertado para você.” – Como eu já imaginava que a pergunta ‘Como eu saí da sua barriga?’ viria em seguida, eu não fiquei constrangida, pois usei a mesma estratégia, a de contar de maneira divertida com alguns pontos de distração. “Olha, a emoção de te ver foi tanta que eu nem percebi. Eu só sei que você estava chorando e no momento que o médico te colocou no meu colo, você parou de chorar na hora! Foi muito emocionante. Eu percebi que naquele momento você sentiu que eu era aquela pessoa que ficava conversando com você quando estava na minha barriga.” – E emendo com outras perguntas para haver uma interação.


E aí, me conta como era lá dentro? – Era quentinho e escuro.


Ou: Você me ouvia conversar com você? – Eu não me lembro.


Da mesma forma que eu fazia perguntas, eu também ouvia perguntas. ‘Eu nasci de roupa?’ – Claro que não! Quem ia lavar suas roupas? Você? E roupa pra quê? Nem tinha lugar pra guardar lá dentro! E como as roupas chegariam lá? De mini navio? – Nessa hora ouve-se gargalhadas.


Eu sei que a resposta para a segunda pergunta não é muito convincente para nós, adultos, mas dependendo do tom da sua voz que você usa e da forma como você conta para a criança (de forma divertida ou abraçando-a e beijando-a, por exemplo), ela fica satisfeita. Eu, particularmente, prefiro omitir alguns detalhes. 


E desta forma saímos deste assunto sem constrangimento e com mais um tabu quebrado.

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