quarta-feira, 2 de março de 2016

Desafio da maternidade

Postado por Letícia Murta às 21:11
Eu também fui marcada para participar do#DesafioDaMaternidade . Acompanhei a polêmica dos últimos dias, e resolvi agora deixar minha contribuição na brincadeira. 
Embora eu seja conhecida como a mãe da Iolanda, ela não é minha única filha. Muito antes, eu já me considerava mãe de cachorro (Sim!). Tive Kika e Lua como "mãe solteira" e essas viraram duas estrelinhas saudosas. Quando me casei, me tornei mãe de Raul, Elvis e Nazaré, também cachorros, e muitas vezes passei madrugadas vigiando o sono quando estavam doentes, abracei e disse que amo, dei colo e recebi um amor incondicional. Engravidei então de meu primeiro filho humano. Filho este que "nasceu morto", encerrando assim sua história para a maioria das pessoas e até mesmo sendo anulado da contabilidade de minha maternidade. Enfrentei aí o que considero o meu maior desafio materno: amar sem tocar, viver sem ter ao lado, sobreviver à dor constante de não poder acalentar um filho. Dor maior não existe. Lutar pela preservação de sua memória tem sido também um enorme desafio. Fazer as pessoas entenderem que eu tenho um filho anjo e que falar sobre isso não pode ser um tabu é algo exaustivo. Meu filho Francisco!
Aí veio Iolanda, meu bebê arco-íris, formado após a tempestade. Ela é a minha salvadora, não nego. Me tirou das trevas do sofrimento. E por ter sofrido tanto, confesso que o que é motivo de reclamação da maioria, pra mim era alegria. Eu acordava feliz a madrugada inteira. Eu nem dormia. Olhava para ela em êxtase. Amamentei com tanta alegria que nem senti dor ao ter os seios rachados. Doeu foi quando meu primogênito morreu e meus seios vazando sem ninguém para sugar e acabaram empedrados. Segui feliz exercendo o meu direito de ser mãe de Iolanda, sabendo dos meus limites físicos, mas satisfeita por poder tê-la comigo. Sua gravidez foi tão complicada. Alto risco, injeções diárias em mim, nascimento com complicações e internação por 10 dias na UTINeo. Eu fui desafiada pela vida muito antes deste desafio. Me parece que foi assim: quer ser mãe? Quer mesmo? Segura este rojão e prova! Com problemas de fertilidade, lutei dois anos para engravidar de Francisco. De Iolanda foi menos tempo, devido a um tratamento hormonal. Quando finalmente eu tinha um bebê nos braços, só sabia rir. Foi e tem sido maravilhoso. Trabalhoso é. Aliás, viver dá trabalho. Mas as alegrias superam as dificuldades.
"Cada um sabe a dor e as delícias de ser o que é", já foi dito. Na maternidade não é diferente. Cada mãe vai construir sua história. Não tem como ser igual pra todo mundo. Algumas terão experiências que as levarão ao questionamento de ser aquilo mesmo o melhor da vida. Com o tempo, elas terão a resposta. Pode ser que realmente ser mãe não seja pra ela. Não acho que a maternidade seja unânime. A vida nos mostra isso com tantos casos de abandono e até maus-tratos.
Mas outras tantas têm alegria verdadeira na maternidade. E é nisto que eu foco. É no frio na barriga, no riso espontâneo, no medo genuíno, na lágrima de alegria que somente o maior amor do mundo pode proporcionar. Ser mãe é uma dádiva. Sou grata. Sou feliz. Sou realizada.
Um abraço a todas as mães que sabem que a maternidade é uma grande prova de amor, doação e aprendizado. A todas as mães que erram e se descabelam. A todas as mães que saem dos trilhos e choram inseguras. A todas as mães que sentem dor, desconforto, solidão e o peso do Mundo nas costas. A todas as mães que admitem suas fraquezas e limitações. A todas as mães que não recebem apoio. A todas as mães que apesar de qualquer pesar sabem: ser mãe é a melhor coisa do Universo!
Eu Curto Ser Mãe! !!!

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