sábado, 13 de maio de 2017

Mãe é igual a gente, só que mãe...

Postado por Letícia Murta às 10:18

Olhei na padaria e vi uma pilha de bolos variados. Queria o de milho. Peguei e fui pra casa satisfeita. Coei um café, cortei um pedaço de Queijo canastra e quando fui abrir o bolo para completar meu deleite, era de laranja. Droga! Detesto. Como ando distraída. Parei pra pensar que isso vem acontecendo com frequência, cada vez mais. E me lembrei de minha mãe, sempre chegando com compras erradas. Sempre, sempre vi minha mãe andar avoada. Guarda o telefone na geladeira, joga papéis importantes fora, compra shampoo para cabelos cacheados sem ter ninguém com essa característica em casa. Eu ri. Estou ficando parecida com minha mãe. 


Na aparência, já há alguns anos,as pessoas notam semelhanças, embora eu ache que puxei muitos traços de meu pai. No gênio, no entanto, sempre fomos parecidas, o que nos rendeu boas brigas. Mas 'nessas coisas' típicas de personalidade, eu me achava bem diferente.  Não sei se é a idade, a maternidade, mas fato é que me vejo aproximar muito do jeito dela. E aí  começo a entender melhor a minha mãe e vejo mais o ser humano que ela é, por trás da mãe. É que, agora que sou mãe, entendo que não só os filhos, mas a maioria, deixa de nós  ver como pessoas e viramos apenas mães.  E a conta chega junto. Em especial nessa época do ano, onde a maternidade ganha um status diferenciado, surgem  as mensagens de pureza e perfeição daquelas que nos deram a vida. Isso é ser mãe?  Porque se for, não me enquadro.  E acho que minha mãe também não.  Eu sou toda errada. Minha mãe também. 

Não precisamos elencar qualidades sobrenaturais para reconhecer o quão maravilhosas são as mães. Imperfeitas, como qualquer ser humano, mas sensacionais.  Quando humanizamos as nossas mães, entendemos como foram pesadas nossas cobranças como filhos. E isso só acontece quando também já estamos sendo cobradas não só por nossos filhos, mas por uma sociedade que espera que mãe seja um ser divino. Olhemos as mães  com a mesma benevolência que olhamos para os pais. Saibamos compreender as limitações.  E aí veremos que não existe essa maternidade idealizada, mas as mães possíveis. Mães que fazem o que dão conta, o que são capazes. Mães que se desdobram muito para não errar, mas que erram. Retirem as expectativas e vai sobrar o amor. Esse, sim, inquestionável.

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