quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Eu, o Baby Blues e a força do amor

Postado por Monique Cabral às 17:53
Francisco, 4 dias de nascido, no colinho da Titia Nane
Conheço poucas mulheres que não sonham com a maternidade. A maior parte, que convive comigo, sonha, idealiza, planeja e romantiza a situação. Eu me enquadro no tipo que romantizou muito esse tão sonhado momento e, logo no início do pós-parto, fiz questionamentos da falta de preparação para me tornar mãe. Isso mesmo. A gente nunca está preparada e as pessoas evitam nos contar a realidade.
Hoje, quando posso e sinto abertura de falar com uma nova mamãe, tento ao máximo explicar o quanto ela vai precisar ser forte. Não tive depressão, mas vivi um momento de muita melancolia após o parto. Eu não aceitava viver aquilo, pois sonhei e lutei muito pela vida de Francisco, entretanto, a queda hormonal, o cansaço, o medo... Tudo colaborou para os 10 dias de choro intenso, escondido, envergonhado. Assim como a maioria das novas mães, me senti confusa. Como poderia sentir tristeza após um acontecimento tão lindo e feliz na minha vida? Tudo era muito confuso, eu sabia que não era tristeza, sabia que não era rejeição. O amor por Francisco só crescia em meio aquele turbilhão de pensamentos loucos. Foi aí que descobri o famoso Baby Blues.
Mas o que causa esse bicho tão assustador? De acordo com um site “queridinho” das mães – o Baby Center – o Baby Blues ou Blues Puerperal pode estar ligado às mudanças hormonais que acontecem na primeira semana depois do parto e, à medida que seu organismo começa a produzir o leite materno, os hormônios vão se estabilizando.
O Baby Blues faz a gente se sentir triste, incapaz. Faz a gente temer e pensar que a angústia nunca vai passar. Eu olhava para o meu filho e sentia amor, paixão por cada lindo traço daquele pequeno rostinho, mas ao mesmo tempo acreditava que jamais seria feliz novamente. Então me culpava e pedia perdão aos céus por ser “uma mãe tão fraca”.
Com o passar dos dias, percebi que as coisas começaram a entrar em ordem. Recebemos tanto amor da minha família que a tristeza deu vez à tranquilidade de saber que tudo aquilo era apenas um período de adaptação do corpo, da mente e da rotina. Eu, que muitas vezes, apontei o dedo para mães que relatavam essa “depressão”, pude enfim entender que não é uma escolha e me perdoei.
Durante esse início na vida materna, também compreendi o poder de um abraço, de um olhar. Entendi a grandiosidade de um colo para o bebê. Percebi quão gigante é o amor de uma tia que socorre o sobrinho na madrugada. Que senta numa poltrona e segura aquele serzinho indefeso enquanto a irmã descansa por meia hora.  

O Baby Blues me mostrou que não sou a fortaleza que imaginei um dia. Mostrou que meu corpo tem seus limites. Me fez humana e frágil. Mas acima de tudo, esse período trouxe a certeza do quanto eu e Francisco somos amados.


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