terça-feira, 16 de agosto de 2016

Um anjo chamado Lucca

Postado por Letícia Murta às 22:11
Vamos hoje conhecer a história da Janaína, mãe do Lucca, que se foi com 38 semanas gestacionais. Depois de muito sofrimento, ela descobriu a trombofilia. 

Se você também quer compartilhar sua história, contar algum caso ou dar uma dica, envie para eucurtosermae@gmail.com que irei publicar com prazer 



Eu me chamo Janaina e tenho 35 anos. Em janeiro de 2015 descobri o meu tão sonhado positivo foram 7 meses tentando, como eu n]ao sou muito certinha com o ciclo eu não estava nem esperando o positivo, apesar, que no fundo no fundo eu tinha um pouco de esperança. Deixei pra fazer o teste com 20 dias de atraso; O meu exame de farmácia ficou com uma linha bem forte, não conseguia acreditar. Eu tive que fazer o exame de sangue pra ter certeza, para avisar pra minha mãe que eu realmente estava gravida; Eu já tinha um medico que me acompanhava  antes  de me casar e foi com esse medico que fiz todo o meu pré -natal. 

Quando o meu medico me passou a ultra pra confirmar a gravidez, me explicou que estava fazendo muito cedo e não daria para escutar o coração.  Fizemos a ultra e estava lá o meu pedacinho de gente crescendo e o coração que o medico disse que não ia escutar. Estava batendo forte, com apenas 5 semanas o meu Lucca me mostrava: mamãe , estou aqui. Quando eu estava com  2 meses de gravidez eu comecei a sentir cólicas, com isso o medico me receitou Utragestan ate completar 4 meses, não contei pra ninguém a novidade. Só quem sabia da minha gravidez era o meu marido e a minha mãe, Tudo me dava medo, pois já havia perdido uma gravidez anterior.

Com 4 meses, ainda não sabíamos o sexo do bebe e eu resolvi  pintar o quarto  todo de azul e fiz o fundo do mar na parede, pois o meu Lucca foi concebido na praia. Os meses foram passando e com 6 meses veio à confirmação: era mesmo o meu Lucca, Foram muitos nomes ate chegar nesse. Antes era Lucas depois virou Lucca Francesco, ate chegar somente no Lucca.

Comecei a montar todo enxoval com 6 meses queria ter certeza que tudo ia dar certo. Fiz
um enxoval neutro, pois como sempre sonhei em ter dois filhos ( um biológico e outro do coração), poderia aproveitar para o segundo filho, e também nunca gostei de menina tem que usar rosa, e menino azul, gosto de cores apesar, que o quarto do Lucca era azul, pelo mar que eu fiz na parede. Cada macacão era uma historia. Minha mãe me deu muita coisa. Eu como aprendi fazer sapatinho de lã e casaquinho tricotava sem parar. O Lucca tinha mais ou menos uns 50 sapatinhos de lã que eu tricotei pra ele juntos com casaquinhos luvinhas; Tudo feito com muito amor; O bercinho foi dado pela minha mãe. No dia a minha mãe não gostou muito. Ela me disse: "nossa pedi pra você escolher um berço maior, e você me compra um bercinho simples"; ele é simples mais hoje tem um significado enorme pra mim.

No dia 13/06/2015 – era aniversario do meu irmão, do meu único irmão, e eu resolvi contar a novidade pra toda família sobre a gravidez. Aquilo me dava frio na barriga de pensar que todo mundo ia dividir comigo aquele segredo que eu escondi durante 6 meses. Tem horas que penso que foi um pouco egoísmo, não sei,   revelei a gravidez com 6 meses.

Com 7 meses fizemos, o chá de fralda, foi lindo foi à festa mais linda que eu já fiz em toda a minha vida. Tudo preparado por mim: bolo de fralda (entrei na internet e descobrir como fazia), convites, fiz um vídeo com todas as etapas da minha gravidez, fiz plaquinhas pra cada convidado deixar uma mensagem pra ele.

Fiz fotos de gravida, em estúdio.  Com 34 semanas o Lucca começou a ficar estranho ele já não mexia como, ele fazia mais ele ficava mais quieto, tinha vez que eu precisava estimular comendo doce pra ver se ele estava lá. Do dia que descobrir a gravidez ate 34 semanas eu ficava no pé do meu medico pra fazer ultras ele nunca pedia. Até o morfológico eu tive que pedir porque ele esquecia. Depois das 34 semanas eu comecei a ficar muito cansada pois eu levantava muitas vezes a noite pra ir no banheiro - essa era pior parte da gravidez - fora as azias que eu sentia justamente à noite; e tinha que dormir sentada, porque eu não aguentava. Como eu estava muito cansada, esquecia de pedir ao médico os ultrassom, ou seja de 34 semanas ate 38 semanas eu não tenho nem uma ultra do Lucca. Esse foi o meu maior erro, por isso eu ainda sinto um pouco de culpa “ se “ eu não tivesse cansada, tivesse ficado no pé do medico pra fazer as ultras.  Mas,  enfim, como mãe de primeira viagem eu achava que tudo estava certo e não tinha risco. Não tinha pressão alta, não tinha diabetes, ou seja era uma gravida “ normal".

Na segunda-feira no dia 05/10/2015, tive consulta. O medico escutou o coração dele e  eu
comentei  que o Lucca estava estranho. Cada dia ele mexia menos. Só escutava que estava tudo normal, não tinha nada com ele, tudo dentro da normalidade. Minha família achava que eu estava louca, ainda escuto muito as pessoas dizendo que eu desejei mal para o meu príncipe e não era, era o meu sexto sentido. Na terça-feira, no 06/10,  ele mexeu muito à noite e eu nem dormi. Na quarta-feira, no dia 07/10/2016, às 8 da manha, ele não mexia mais. Achei que estava normal,  como ele mexeu a noite e eu tinha uma ultra marcada naquele dia fiquei tranquila. Escrevi mais um pouco no diário que eu fiz pra ele contando tudo sobre cada dia que eu estava com ele na minha barriga e fui terminado os detalhes como lembrancinhas e sonhando a data que ele viria pra o meu colo. As 18h cheguei pra fazer a ultra, e o medico me perguntou se eu passei  mal, se cai ou aconteceu alguma coisa durante o dia. Eu disse que não,  tudo normal. Me perguntou se eu havia tido febre e eu disse que não,  somente cólicas parecendo que tinha alguma coisa empurrando a minha barriga. Foi aí que ele disse: o seu filho está morto, ele faleceu. O meu marido pediu ele pra refazer a ultra, foi refeito e nada. O meu filho estava morto. Fui direto pra o hospital. Peguei algumas peças de roupas em casa liguei pra o meu medico e disse pra ele que o meu filho estava morto e eu queria fazer o parto dele hoje sem falta
.
Fui pra o hospital e expliquei pra as enfermeiras que me trataram com muito carinho. Fiquei no hospital ate o meu médico chegar pois naquele dia ele estava fazendo 3 partos um em cada hospital. Ele disse que era para eu ir pra casa e  depois ele resolveria. Eu disse que não, queria o parto; No fundo eu tinha esperança que o meu filho estaria vivo. Não queria acreditar que ele estava morto, fiz promessas rezei, pedi a Deus pra que não fosse verdade.

Na hora de fazer o parto o anestesista já ia brincar comigo foi ai que enfermeira balançou a cabeça puxou ele pelo braço e contou o que havia acontecido. Não teve jeito de fazer o parto normal teve que ser feito uma cesárea o meu anjinho morreu atravessado com isso seria mais difícil de sair através do parto normal. Eu também acreditava que ele estaria vivo, pensei que se fosse cesárea poderia dar tempo de reanimar. O anestesista  me disse que iria me sedar pra eu não ver nada e  eu disse que se me sedasse eu iria pra televisão. Gerei o meu filho por 9 meses e queria pegá-lo no colo,  sentir o cheiro dele e me despedir. Fiz tudo isso por pouco tempo. A enfermeira pegou o meu filho no colo como se ele estivesse vivo e me mostrou e  disse: pega no seu filho será a ultima vez. Foi aí que eu peguei beijei abracei e me despedi. Meu marido não tirou foto, pois estava chocado com tudo, que tinha acabado de acontecer.

Passando 5 minutos escutei o anestesista dizer "tira esse menino daqui vamos perder a paciente". A minha pressão de 10 foi a 4, fiquei olhando a enfermeira pesar embrulhar o meu filho como se fosse um boneco. Pedi ao meu medico pra enviar o corpo do meu filho para o IML, precisava de justificativa apesar de que não tinha nada que justificava.

Foi tudo diferente sonhei em fazer as fotos do álbum, sonhei que a minha família estaria todos juntos pra receber o nosso príncipe, mas não foi assim. Entramos em uma sala gelada, onde só existia o anestesista, o meu medico uma enfermeira e outro medico que estava ajudando. A minha mãe e o meu irmão ficaram do lado de fora esperando eu sair do bloco cirúrgico. Ninguém viu o Lucca, ninguém conseguiu conhecer o meu anjo.

Voltei pra casa e tinha mais pesadelos a enfrentar. O IML nos contou que só ia liberar o corpo do meu filho dentro de 30 dias ou seja eu só iria enterrar o meu príncipe depois de 30 dias; Quando tinha feito 7 dias,  pedi pra celebrar uma missa pra ele. Fiz tudo que uma pessoa católica faz, foi celebrado e lembro ate hoje do desespero de entrar na igreja, pois no domingo eu havia ido a missa e rezado por ele pra nada de ruim acontecer com o meu príncipe era como se Deus estivesse me castigando, votando naquela igreja de braços vazio. Fiz tantos planos para ele ali, sonhei em batizar ele naquela igreja que eu havia me casado,  feito crisma, enfim,  eu sempre fui muito católica, o padre fez uma linda missa de 7 dia.

Foi um passo de cada vez e no dia 05/11 comecei a pedir o corpo do meu filho pra o IML. Eu queria enterrar ele e o meu coração me pedia. Enterramos o Lucca no cemitério do Bonfim (em Belo Horizonte). Era como se eu estivesse perdendo o meu filho pela segunda vez.  

Passado tudo comecei a correr atrás de respostas, não obtive muitas o laudo do IML. Não constatou problemas nenhum. Na analise da placenta uma palavra feia chamada Corigiose que nem estudo tem direito, e somente 1 exame indicando um tipo de trombofilia, mas que vários médicos dizem ser branda pra matar uma criança de 9 meses. Ate hoje respostas não tivemos só sei que no ano de 2015 fui a mulher mais feliz e uma mãe triste pois o meu colo continua vazio. 

Hoje, infelizmente, a minha é  vida anda muito abalada. Vivi a gravidez intensamente, rezava fazia novena pra Deus proteger o meu filho, mas foi tudo em vão, deu tudo errado. Mas vou continuar vivendo intensamente, pois, o meu sonho continua de ser MÃE.  Fui mãe de anjo , sim,  mãe de um filho lindo chamado Lucca.

6 comentários :

Unknown on 17 de agosto de 2016 11:31 disse...

Jana , não tenho palavras. Vc sabe que nunca , nunca será sua culpa . Não estudamos para sermos médicas, dói sim uma NEGLIGÊNCIA MÉDICA. MINHA QUERIDA TODO AMOR , LUZ, ENERGIA , MUITA FÉ..... PASSAR? tb sou mãe como vc de um anjo de 9 meses , não passou ele Continua aqui .Mas a vida continua e sua fé te tornará mãe. Como diz a Letícia Murta , a qual tenho a maior admiração , ela tb é mãe do anjo Francisco.... ela diz : médico bom é aquele que investiga e pede exames". Fé!!!!! Estou aqui pertinho de vc . E o Lucca agradece todos os dias a mãe cuidadosa e amorosa que ele teve.������������������

Unknown on 17 de agosto de 2016 11:31 disse...

Jana , não tenho palavras. Vc sabe que nunca , nunca será sua culpa . Não estudamos para sermos médicas, dói sim uma NEGLIGÊNCIA MÉDICA. MINHA QUERIDA TODO AMOR , LUZ, ENERGIA , MUITA FÉ..... PASSAR? tb sou mãe como vc de um anjo de 9 meses , não passou ele Continua aqui .Mas a vida continua e sua fé te tornará mãe. Como diz a Letícia Murta , a qual tenho a maior admiração , ela tb é mãe do anjo Francisco.... ela diz : médico bom é aquele que investiga e pede exames". Fé!!!!! Estou aqui pertinho de vc . E o Lucca agradece todos os dias a mãe cuidadosa e amorosa que ele teve.������������������

mae anjo on 18 de agosto de 2016 16:27 disse...

ficou lindo Letícia, amei ver a minha historia, não tinha visto ainda, agora que vi muito obrigada ficou lindo vou sempre lembrar do meu Lucca com muito amor e carinho e muito obrigada por esse espaço vamos ver muitas historia lindas, amei.

Sonia Oli on 15 de setembro de 2016 20:49 disse...

Chorei do início ao fim. Não sei o que dizer. Não consigo imaginar o tamanho da sua dor. Sinto muito. Muito mesmo.

Sonia Oli on 15 de setembro de 2016 20:49 disse...

Chorei do início ao fim. Não sei o que dizer. Não consigo imaginar o tamanho da sua dor. Sinto muito. Muito mesmo.

Tathiane Lambrini on 23 de novembro de 2016 11:01 disse...

Nossa, Janaína... Chorei mto com sua historia. Que dor! Que baque na sua vida... Rasteira do destino. Mas levante! Vc é guerreira, vai conseguir de novo. Tb sou mãe de anjo de 3 meses duas vezes... Força, querida.

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