EU CURTO SER MÃE: Cantinho da leitora
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terça-feira, 15 de maio de 2018

Elaine, mãe da Luíza

22:08 0
Elaine, mãe da Luíza
A Elaine Lourença de Almeida, mãe da Luíza de 11 meses, dividiu conosco sua história de maternidade. Se você também quer compartilhar sua história, contar algum caso ou dar uma dica envie para eucurtosermae@gmail.com que irei publicar com prazer.




Meu nome é Elaine e sigo você nas redes sociais. Gosto demais do seu trabalho e você me ajudou muito com sua história. Quando descobri você vi que não estou só. Já vi seus videos mais de 20 vezes e aprendo muito com eles. Através da sua história puder ver que apesar de me culpar, não estou sozinha nesse universo da trombofilia. 

Vou dividir um pouco da minha história com você,  pois sei que vai entender. Eu morava em Belo Horizonte e resolvi me mudar para São Paulo por ter perdido minha mãe e precisava ficar perto dos irmãos. Minha empresa então me transferiu e quando cheguei aqui eu conheci meu marido. Ele me disse que não poderia ser pai é meu sonho sempre foi ser mãe. Ele havia saído de um casamento de seis anos por não ter filhos. Mas, sabe, eu não me entristeci, nem fiquei preocupada.

Antes de casarmos ele procurou um médico que disse que ele precisaria operar devido a varicocele.. Nos casamos em novembro de 2016 e fomos para a Argentina e quando voltei estava grávida. Foi um grande susto é uma alegria imensa. Tive um pequeno descolamento de placenta, mas que rapidamente foi resolvido com uso de hormônios. 

A gravidez transcorreu bem sem nenhuma complicação até a ultrassonografia que fiz com 29 semanas. A ultrassonografista disse que a bebê estava um pouco abaixo do peso. 
Fui na minha médica que disse que estava tudo certo e normal e que eu não tinha motivos para preocupar. Eu pedia a ela para que me afastasse do trabalho por ter que dirigir muito para chegar e eu passava muito nervoso lá.. Ela dizia que não podia e que eu estava bem. 

Eu sentia dores muito fortes na lombar e também foi ignorado. Na próxima consulta eu disse a ela que a minha filha não mexia quase nada e ela me examinou e disse que eu estava muito bem. Fui pra casa muito mal ..como se algo me dissesse que não estava nada bem. 

Então eu faltava muito do trabalho, pois trabalhava muito longe. Por duas vezes fui no pronto atendimento da PUC que aqui é hospital. E eles disseram que eu estava bem.
Sabe, eu já não sabia mais o que fazer e onde ir, pois não conheço muito bem a região.

Num final de semana eu tive um sonho muito estranho. Sonhei que eu precisava aprender a ouvir a voz do meu coração. Passei o final de semana muito triste porque a Luíza não mexia. Na segunda feira marquei uma ultrassonografia e por sorte tinha uma vaga para as 15:40 da tarde.Fui então sozinha fazer a ultrassonografia. 

Cheguei lá e o médico me disse: o que te traz aqui? Então eu disse: então me disseram que a minha bebê é pequena pra idade gestacional e e ela também não mexe quase nada. Queria saber como ela está.Então ele fez o exame e disse que ela era realmente muito pequena, pois eu já estava com quase 34 semanas e ela tinha apenas 1600 e não mexia por falta de e energia.

Me perguntou quando seria a próxima consulta e eu disse que seria na quarta e ele me disse que ela não sobreviveria até no próximo dia. Mas que ela teria que nascer naquela hora. Me pediu para esperar lá fora enquanto falava com minha médica. Eu quase morri, perdi o chão e entrei em desespero.

O médico ligou para meu marido e pediu para ele ir me buscar e me levar para a maternidade, pois eu não tinha condições de dirigir. Meu marido chegou e fomos direto para o hospital, pois a medica e toda equipe já estavam me esperando.Chegamos no hospital e rapidamente foi feito o parto. A Luiza nasceu 17h37. Nasceu parada e teve que ser reanimada. A médica disse que não sabia se ela sobreviveria, pois estava muito grave e pesava só 1350 .

Eu não tinha liquido e ela estava morrendo. Ela ficou 38 dias na UTI. Com 34 dias me deram o diagnóstico de paralisia cerebral. Hoje ela está viva e aqui comigo graças a Deus. Mas não tem um dia que não sofro pelo que passei e pelo que ela sofreu e ainda sofre.
Eu me culpo todos os dias por ela ter sequelas. Por eu não ter feito a ultrassonografia por minha conta antes.

Hoje ela faz fisioterapia e tanta coisa...Penso que tudo poderia ter sido diferente e evitado. 
Mas não fui esperta o suficiente para entender os sinais.Eu tive trombose na placenta, mas meus exames vieram negativo para trombofilia.
Em julho tenho uma consulta com Dr Domingos. Porque não pode ter sido o nervosismo que passei. Me culpo por isso também. Obrigada por criar seu canal. Um grande abraço
Elaine

terça-feira, 5 de setembro de 2017

O anjo Miguel

14:39 0
O anjo Miguel
A Bruna dividiu conosco sua história de maternidade. Ela é mãe do anjo Miguel. 

Se você também quer compartilhar sua história, contar algum caso ou dar uma dica, envie para eucurtosermae@gmail.com que irei publicar com prazer 


Eu me chamo bruna, tenho 17 anos e sou MÃE DE ANJO
Em abril  de 2015 descobri o meu positivo, sem esperar, mas enfim. Como já presumia meu namorado que com toda sua certeza me dizia você esta grávida.
Um mês antes foi onde tudo começou, os enjôos, as tonturas, vômitos, azia e a vontade de comer tudo o que eu via pela frente. Com toda essas series de coisas que vinham acontecendo, decidi fazer um teste de farmácia que apontou negativo o resultado, não acreditava, minha menstruação realmente estava atrasada e todos os fatos apontavam sim uma gravidez.

Fiquei uma semana inteira comprando e fazendo os testes que sempre davam negativo. Foi onde meu namorado resolveu falar para sua avó (com quem sempre morou). Ela resolveu me levar para fazer um exame de sangue, nessa época eu trabalhava então tive que faltar serviçço para realizar o exame.

De manhã bem cedo fomos para o laboratório encontrar a vó, fiz o teste e o resultado sairia só  a tarde, então fomos para a casa esperar, que aflição. Chegou a tão esperada hora de saber o resultado, a hora que tudo iria mudar em nossas vidas.

Não conseguimos decifrar o resultado, então ligamos para minha sogra para ela ver pra nos. Meu Deus, jamais vou esquecer quando a vó dele disse pra mãe dele no celular: Então meus parabéns vovó..... Nossa que alegria eu realmente estava grávida.

Mas ainda nem tudo estava perfeito, meus pais ainda não sabiam da novidade, apesar de estar muito feliz sentia medo da reação deles, para mim eles iriam me matar. Fiquei um tempo escondendo a barriga ainda não aparecia estava apenas com 2 meses... Não durou muito tempo tentando esconder aos poucos eles  iam percebendo, então decidir dizer a verdade ESTOU GRÁVIDA. Foi um back pra eles, e também como não seria ne eu com apenas 15 anos. Pro meu pai foi mais de boa, já pra minha mãe, coitada não acreditava (ou não queria acreditar).

O tempo foi passando a barriga já crescida , veio a vergonha dos parentes, que pra mim pensavam assim: Minha nossa a Bruna com apenas 15 anos já esta grávida. (a vergonha da qual hoje me arrependo.

Quatro meses ainda sem saber o sexo do bebe, que agonia. Era tão bom, tão confortável saber e sentir um serzinho dentro de mim, ouvir seu coraçãozinho bater, todas as consultas do pré-natal minha mãezinha estava lá, do meu lado, apesar de no começo não aceitar e chegar a ficar dois meses sem falar comigo, ela rezava todas as noites para que tudo acabasse bem.

Minha primeira ultra ansiosa pra saber o sexo do meu dengo, minha mãe novamente comigo, quando a medica disse: Parabéns mamãe é um menino, minha vontade era de gritar de felicidade mas minha mãe estava ali fiquei com receio, mas quando ela olhou pra mim com os olhos cheios de lagrimas e falou que sempre quis ter um neto homem meu coração estremeceu e eu não agüentei de tanta felicidade.

Como o tempo passa rápido, já estava com 6 meses, minha gravidez foi muito conturbada, muitas brigas com todos, foi muito difícil. Mas cada vez que eu olhava para minha barriga eu automaticamente me desligava do mundo e ficava ali no meu ciclo de amor.
Com tudo descobri que minha gravidez era de risco devido a minha pressão que era muito baixa. Cada dia que passava minha felicidade aumentava, apesar de ser de risco a gravidez, nunca deu nenhum tipo de complicação, meu Miguelzinho (nome que minha mãe escolheu) estava ótimo, só esperando a hora certa de vim ao mundo.

Ganhei um pouco de cada coisa de cada um da família tanto da minha quanto da dele, que vinham tudo com muito amor e carinho, ah como eu amava essa sensação....
Os médicos me elogiavam por ter mais consultas que o normal, não é pra menos ne, ia ao medico por qualquer motivo, afinal era minha primeira gestação tinha que ta por dentro de tudo.
O tempo foi passando meu guerreiro cada vez mais grande e forte, seu coraçãozinho em perfeito estado, e seu cantinho em nosso quarto então, nem se fala, tudo lindo aconchegante, so pela sua chegada.. Ele se mexia de mais dentro de mim, era tão bom ter aquela sensação que se desse eu voltaria no tempo.

Oito meses e a ansiedade já havia tomado conta de mim, queria tanto ele nos meus braços, e o tempo parecia não passar... que ansiedade....

Já com 9 meses, fui ao hospital para consulta de pré-natal e relatei sentir muita cólica, falaram que era normal e que eu podia voltar pra casa tranquila, acreditei, ate porque eles são médicos não é?!

Dia 21/12 com quase 10 meses, acordei bem, fiz os afazeres de casa, almocei e fui para a casa da dinda do Miguelzinho minha prima. Lá conversamos a tarde toda que acabou no assunto da minha gravidez foi onde minha tia me sugeriu ir ao medico já que eu estava com quase dez meses, ir para ver se estava tudo bem (eu tinha ido 2 dias antes no pré-natal e falaram que estava tudo bem comigo e com o meu filho), mesmo assim quis seguir o conselho da minha tia.

Fui para casa, tomei um banho, jantei e conversando com meu namorado pedi para que ele fosse comigo ao medico e ele decidiu ligar para a vó dele pra saber sua opinião, ela disse então, que não havia necessidade de ir para o hospital aquela hora da noite, escutamos ela e fomos dormi.

E FOI AI ONDE TUDO COMEÇOU......
Na madrugada do dia 21 pro dia 22 de dezembro as 4 horas da madrugada com um calor absurdo de verão, eu me acordo morrendo de frio e chego a me tapar com quatro cobertores enormes, estava com 39 de febre, acordei meu namorado e ele me deu um remédio e voltamos  a dormir. As 10h da manha a vó dele chega em casa do serviço e minha febre volta junto, disse pra ela e ela me deu outro remédio, continuei a dormir, Ao 12H me levanto com febre novamente e com muita dor nas costas. Meu bebezinho não havia se mexido desde o dia anterior, tomei um banho comi algo e a febre havia baixado, então a Roseli (vo do meu namorado) disse pra eu ficar quietinha que se não passasse iríamos ao hospital .

Pois bem, me deu uma vontade enorme de ir ao banheiro , então eu fui, foi nessa hora que entrei em estado de nervos, saiu uma borra de sangue na minha calcinha, foi ai então que enfim fomos para o hospital .  A caminha de lá começou a me dar umas contrações bem fraquinhas , meu anjo queria sair....

Chegando no hospital relatei o que havia acontecido e a Roseli pediu para entrar comigo ate porque eu era menor deveria ter um responsável comigo. Os médicos não deixaram e falaram que se continuasse a insistir não iria me atender. Entrei sozinha...

Lá fizeram todos os procedimentos de sempre, eu não tinha dilatação e os batimentos cardíacos do Miguel estavam ótimos, e que ainda não estava na hora, para minha surpresa o “medico” que me atendia era um estudante, então falei que só sairia dali quando um medico de verdade me atendesse.

Ele veio, fez os mesmos procedimentos mas na hora de ouvir o caração do Miguel ele ficou assustado me olhando e perguntou qual foi a ultima vez que ele se mexeu? Respondi – ontem a tarde, algum problema doutor?

Imediatamente ele  me colocou em um monitor fetal. O CORAÇÃOZINHO DELE BATIA  muito devagar, dali em diante os médicos tinham pouco tempo para salvar a vida do meu pequeno.   Levaram-me para o bloco cirúrgico imediatamente, enquanto meu namorado assinava minha internação .

Aplicaram a anestesia em mim as 15H da tarde as 15H06MIN a cesaria  já tinha sido concluída, meu amor tinha FEITO COCO DENTRO DE MIM, fizeram a lavagem enquanto os outros médicos tentavam reanimar meu amor.... Sem sucesso, já havia falecido.. Eu e meu namorado pedimos Pelo Amor De Deus tenta só mais uma vez mas eles se negaram. Pior dia da minha vida

Os médicos deram como causa Morte Súbita, diagnostico do qual eu não acredito ate hoje.
Minha mãe recebeu o telefonema de que eu estava no hospital ela foi correndo com  a bolsinha do meu anjinho com suas roupinhas, chegando La se deparou com toda aquela tristeza, ela também não merecia, vo também sofre e por dois, pela sua própria dor e pela dor de sua filha.

Chegou a hora do velório e do enterro, eu e minha mãe não fomos,ela ficou no hospital comigo, pois eu  ainda estava internada me recuperando da  cesaria, (que ate hoje é toda errada e mal costurada devido a urgência, mais é a melhor marca que tenho o prazer de carregar comigo), ele foi enterrado no cemitério São Miguel e Almas em Porto Alegre.
Ter ficado no hospital foi terrível pra mim ter que ouvir os choros do bebezinhos era uma crueldade sem tamanho, tu um dia te ver grávida com um baita de um barrigão e no outro não ter mais nada, nem a barriga nem seu filho nos braços destrói qualquer uma.
Um ano se passou  e eu queria acreditar que eu tinha superado mas na verdade isso nunca ira acontecer, eu morrerei com esse luto dentro de mim.

Hoje aprendi a conviver com essa saudade dentro de mim. Hoje sei o que é um amor de mãe por um filho, que uma mãe faz o possível e o impossível para ver seu filho bem, e hoje sinto que nenhum amor é tão grande como o amor de uma mãe por um filho.

Hoje eu e o pai do Miguelzinho não estamos mais juntos, mas junto dele tive o privilegio de poder gerar um anjo dentro do meu ventre e o prazer de morrer com ele em meu coração.....

ATÉ MEU ÚLTIMO SUSPIRO VOU TE AMAR FILHO ! MIGUEL <3


terça-feira, 25 de outubro de 2016

Chegada e partida

12:58 3
Chegada e partida

A Cássia Prímola dividiu conosco sua história de maternidade. Pouco tempo após o momento mais feliz de sua vida, com o nascimento do pequeno Ivan, sua mãe faleceu. Ela teve que vivenciar sentimentos tão fortes e tão contraditórios. 

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Sempre quis ser mãe, acreditava ser da minha natureza gerar e criar filhos. Quando eu e Érico decidimos que era chegado o tempo, nos preparamos, fiz os exames necessários e tudo estava ok. Sempre conversávamos sobre os possíveis nomes para menino e menina. No nosso pensamento e coração já estávamos em gestação. Do tempo que decidimos até o ‘positivo’ foram 1 ano e 3 meses. Em abril de 2015 engravidei...que emoção maravilhosa, transbordei em lágrimas de alegria, um sonho se tornando realidade. 

Tive uma gestação maravilhosa, acompanhada pela Drª Angela (ginecologista e obstetrícia) e Dr José Tácio (ultrassons).  Vivi meses cheia de amor e com uma sensação de plenitude. Para os dias de ultrassom, fizemos caravana e tivemos a presença dos avós, tia Tina, papai. Comecei a escrever para o Ivan os registros da gravidez, os momentos que vivíamos, as mudanças. E vivemos intensamente: “ouvir as batidas do coração, localizar as pernas, braços, descobrir o sexo, desenvolvimento e crescimento etc”

Reformamos o apartamento, fizemos o chá de fraldas, arrumamos o quarto e em 04/01/2016 Ivan nasceu! Como descrever o nascimento? Até hoje não encontro palavras, mas com certeza foi o momento mais marcante da minha vida.

Os primeiros dias foram um mix de emoções e adaptações. Ficamos no hospital até dia 07/01. A primeira visita foi da minha mãe (Margarida, Dadá, flor minha flor) e da tia Tina, registrada na foto. Hoje recordando até parece que minha mãe tinha pressa em ver, pegar e aproveitar o netinho mais novo.  Ivan recebeu muitas visitas...

Então no dia 22/01, 18 dias depois que Ivan nasceu, minha mãe infartou. Quando soube da notícia estava amamentando o Ivan e o Érico estava chegando em casa. Meu mundo desabafou.

A amamentação, que já era um processo delicado, pois tive que complementar, ficou ainda mais desafiador. Ainda assim não desisti e insisti até o Ivan não aceitar mais aos dois meses. Foi muito frustrante, ainda é, pois planejei amamentação exclusiva pelos 6 primeiros meses em livre demanda.

Minha mãe foi hospitalizada, chegou a receber alta, ficou um fim de semana na casa da minha irmã, onde Érico registrou esse momento lindo da vó com o neto, repleto de amor e significado. Porém ela precisou voltar para o CTI, o estado agravou. Com o Ivan recém-nascido não conseguia visitá-la com frequência, ela não conseguiu recuperar e no dia 12/03/2016 faleceu. Ah vida, por que tem que ser assim? Que sensação horrível, avassaladora. No dia 11 consegui rapidamente ir ao hospital e nem sabia que era a despedida. Algo dentro de mim foi arrancado e estava vivendo dois momentos opostos: nascimento do filho – morte da mãe. Não pude vivenciar o luto como precisava e nem a felicidade do nascimento do filho como desejava.

Dias muito difíceis, mas quem disse que a vida dá uma pausa? Questionei, entristeci, revoltei e ao mesmo tempo tinha uma vida que dependia totalmente dos meus cuidados, mas eu é quem estava precisando de cuidados. Não sabia o que era a minha vida sem minha mãe. Ela que viveu para o lar, pela família que dedicou a vida por nós. Com ela e meu pai aprendi a importância da fé e da religiosidade e sei que até o último momento de vida, ela rezou por todos que conheceu. Aprendi com ela a simplicidade, o ‘fazer o bem, sem olhar a quem...’

Já são 7 meses sem a presença física da minha mãe. Vivi o dia das mães, o aniversário dela, meu aniversário. Sinto tanta falta dela, como gostaria que ela acompanhasse o desenvolvimento do Ivan, de compartilhar as descobertas, de tirar dúvidas, buscar conselhos e dicas, de rezar por mim e me acolher. A saudade e o amor são eternos.
Ivan está cada dia mais esperto, cheio de energia e vida. Encantado com as descobertas e curioso com o mundo, tudo é possibilidade e encantamento. Está querendo andar, com 9 meses.

E ao me ver na pureza do seu olhar, dos seus sorrisos, da confiança absoluta, ele foi meu companheiro no momento mais difícil e é por ele, pela presença e presente diário que vou vivendo agradecida por ser sua mãe.

Vou tocando em frente, uns dias bons outros nem tanto. Sabia que a minha vida mudaria completamente com a chegada do Ivan, mas jamais imaginei que também seria a partida da minha mãe.



terça-feira, 16 de agosto de 2016

Um anjo chamado Lucca

22:11 6
Um anjo chamado Lucca
Vamos hoje conhecer a história da Janaína, mãe do Lucca, que se foi com 38 semanas gestacionais. Depois de muito sofrimento, ela descobriu a trombofilia. 

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Eu me chamo Janaina e tenho 35 anos. Em janeiro de 2015 descobri o meu tão sonhado positivo foram 7 meses tentando, como eu n]ao sou muito certinha com o ciclo eu não estava nem esperando o positivo, apesar, que no fundo no fundo eu tinha um pouco de esperança. Deixei pra fazer o teste com 20 dias de atraso; O meu exame de farmácia ficou com uma linha bem forte, não conseguia acreditar. Eu tive que fazer o exame de sangue pra ter certeza, para avisar pra minha mãe que eu realmente estava gravida; Eu já tinha um medico que me acompanhava  antes  de me casar e foi com esse medico que fiz todo o meu pré -natal. 

Quando o meu medico me passou a ultra pra confirmar a gravidez, me explicou que estava fazendo muito cedo e não daria para escutar o coração.  Fizemos a ultra e estava lá o meu pedacinho de gente crescendo e o coração que o medico disse que não ia escutar. Estava batendo forte, com apenas 5 semanas o meu Lucca me mostrava: mamãe , estou aqui. Quando eu estava com  2 meses de gravidez eu comecei a sentir cólicas, com isso o medico me receitou Utragestan ate completar 4 meses, não contei pra ninguém a novidade. Só quem sabia da minha gravidez era o meu marido e a minha mãe, Tudo me dava medo, pois já havia perdido uma gravidez anterior.

Com 4 meses, ainda não sabíamos o sexo do bebe e eu resolvi  pintar o quarto  todo de azul e fiz o fundo do mar na parede, pois o meu Lucca foi concebido na praia. Os meses foram passando e com 6 meses veio à confirmação: era mesmo o meu Lucca, Foram muitos nomes ate chegar nesse. Antes era Lucas depois virou Lucca Francesco, ate chegar somente no Lucca.

Comecei a montar todo enxoval com 6 meses queria ter certeza que tudo ia dar certo. Fiz
um enxoval neutro, pois como sempre sonhei em ter dois filhos ( um biológico e outro do coração), poderia aproveitar para o segundo filho, e também nunca gostei de menina tem que usar rosa, e menino azul, gosto de cores apesar, que o quarto do Lucca era azul, pelo mar que eu fiz na parede. Cada macacão era uma historia. Minha mãe me deu muita coisa. Eu como aprendi fazer sapatinho de lã e casaquinho tricotava sem parar. O Lucca tinha mais ou menos uns 50 sapatinhos de lã que eu tricotei pra ele juntos com casaquinhos luvinhas; Tudo feito com muito amor; O bercinho foi dado pela minha mãe. No dia a minha mãe não gostou muito. Ela me disse: "nossa pedi pra você escolher um berço maior, e você me compra um bercinho simples"; ele é simples mais hoje tem um significado enorme pra mim.

No dia 13/06/2015 – era aniversario do meu irmão, do meu único irmão, e eu resolvi contar a novidade pra toda família sobre a gravidez. Aquilo me dava frio na barriga de pensar que todo mundo ia dividir comigo aquele segredo que eu escondi durante 6 meses. Tem horas que penso que foi um pouco egoísmo, não sei,   revelei a gravidez com 6 meses.

Com 7 meses fizemos, o chá de fralda, foi lindo foi à festa mais linda que eu já fiz em toda a minha vida. Tudo preparado por mim: bolo de fralda (entrei na internet e descobrir como fazia), convites, fiz um vídeo com todas as etapas da minha gravidez, fiz plaquinhas pra cada convidado deixar uma mensagem pra ele.

Fiz fotos de gravida, em estúdio.  Com 34 semanas o Lucca começou a ficar estranho ele já não mexia como, ele fazia mais ele ficava mais quieto, tinha vez que eu precisava estimular comendo doce pra ver se ele estava lá. Do dia que descobrir a gravidez ate 34 semanas eu ficava no pé do meu medico pra fazer ultras ele nunca pedia. Até o morfológico eu tive que pedir porque ele esquecia. Depois das 34 semanas eu comecei a ficar muito cansada pois eu levantava muitas vezes a noite pra ir no banheiro - essa era pior parte da gravidez - fora as azias que eu sentia justamente à noite; e tinha que dormir sentada, porque eu não aguentava. Como eu estava muito cansada, esquecia de pedir ao médico os ultrassom, ou seja de 34 semanas ate 38 semanas eu não tenho nem uma ultra do Lucca. Esse foi o meu maior erro, por isso eu ainda sinto um pouco de culpa “ se “ eu não tivesse cansada, tivesse ficado no pé do medico pra fazer as ultras.  Mas,  enfim, como mãe de primeira viagem eu achava que tudo estava certo e não tinha risco. Não tinha pressão alta, não tinha diabetes, ou seja era uma gravida “ normal".

Na segunda-feira no dia 05/10/2015, tive consulta. O medico escutou o coração dele e  eu
comentei  que o Lucca estava estranho. Cada dia ele mexia menos. Só escutava que estava tudo normal, não tinha nada com ele, tudo dentro da normalidade. Minha família achava que eu estava louca, ainda escuto muito as pessoas dizendo que eu desejei mal para o meu príncipe e não era, era o meu sexto sentido. Na terça-feira, no 06/10,  ele mexeu muito à noite e eu nem dormi. Na quarta-feira, no dia 07/10/2016, às 8 da manha, ele não mexia mais. Achei que estava normal,  como ele mexeu a noite e eu tinha uma ultra marcada naquele dia fiquei tranquila. Escrevi mais um pouco no diário que eu fiz pra ele contando tudo sobre cada dia que eu estava com ele na minha barriga e fui terminado os detalhes como lembrancinhas e sonhando a data que ele viria pra o meu colo. As 18h cheguei pra fazer a ultra, e o medico me perguntou se eu passei  mal, se cai ou aconteceu alguma coisa durante o dia. Eu disse que não,  tudo normal. Me perguntou se eu havia tido febre e eu disse que não,  somente cólicas parecendo que tinha alguma coisa empurrando a minha barriga. Foi aí que ele disse: o seu filho está morto, ele faleceu. O meu marido pediu ele pra refazer a ultra, foi refeito e nada. O meu filho estava morto. Fui direto pra o hospital. Peguei algumas peças de roupas em casa liguei pra o meu medico e disse pra ele que o meu filho estava morto e eu queria fazer o parto dele hoje sem falta
.
Fui pra o hospital e expliquei pra as enfermeiras que me trataram com muito carinho. Fiquei no hospital ate o meu médico chegar pois naquele dia ele estava fazendo 3 partos um em cada hospital. Ele disse que era para eu ir pra casa e  depois ele resolveria. Eu disse que não, queria o parto; No fundo eu tinha esperança que o meu filho estaria vivo. Não queria acreditar que ele estava morto, fiz promessas rezei, pedi a Deus pra que não fosse verdade.

Na hora de fazer o parto o anestesista já ia brincar comigo foi ai que enfermeira balançou a cabeça puxou ele pelo braço e contou o que havia acontecido. Não teve jeito de fazer o parto normal teve que ser feito uma cesárea o meu anjinho morreu atravessado com isso seria mais difícil de sair através do parto normal. Eu também acreditava que ele estaria vivo, pensei que se fosse cesárea poderia dar tempo de reanimar. O anestesista  me disse que iria me sedar pra eu não ver nada e  eu disse que se me sedasse eu iria pra televisão. Gerei o meu filho por 9 meses e queria pegá-lo no colo,  sentir o cheiro dele e me despedir. Fiz tudo isso por pouco tempo. A enfermeira pegou o meu filho no colo como se ele estivesse vivo e me mostrou e  disse: pega no seu filho será a ultima vez. Foi aí que eu peguei beijei abracei e me despedi. Meu marido não tirou foto, pois estava chocado com tudo, que tinha acabado de acontecer.

Passando 5 minutos escutei o anestesista dizer "tira esse menino daqui vamos perder a paciente". A minha pressão de 10 foi a 4, fiquei olhando a enfermeira pesar embrulhar o meu filho como se fosse um boneco. Pedi ao meu medico pra enviar o corpo do meu filho para o IML, precisava de justificativa apesar de que não tinha nada que justificava.

Foi tudo diferente sonhei em fazer as fotos do álbum, sonhei que a minha família estaria todos juntos pra receber o nosso príncipe, mas não foi assim. Entramos em uma sala gelada, onde só existia o anestesista, o meu medico uma enfermeira e outro medico que estava ajudando. A minha mãe e o meu irmão ficaram do lado de fora esperando eu sair do bloco cirúrgico. Ninguém viu o Lucca, ninguém conseguiu conhecer o meu anjo.

Voltei pra casa e tinha mais pesadelos a enfrentar. O IML nos contou que só ia liberar o corpo do meu filho dentro de 30 dias ou seja eu só iria enterrar o meu príncipe depois de 30 dias; Quando tinha feito 7 dias,  pedi pra celebrar uma missa pra ele. Fiz tudo que uma pessoa católica faz, foi celebrado e lembro ate hoje do desespero de entrar na igreja, pois no domingo eu havia ido a missa e rezado por ele pra nada de ruim acontecer com o meu príncipe era como se Deus estivesse me castigando, votando naquela igreja de braços vazio. Fiz tantos planos para ele ali, sonhei em batizar ele naquela igreja que eu havia me casado,  feito crisma, enfim,  eu sempre fui muito católica, o padre fez uma linda missa de 7 dia.

Foi um passo de cada vez e no dia 05/11 comecei a pedir o corpo do meu filho pra o IML. Eu queria enterrar ele e o meu coração me pedia. Enterramos o Lucca no cemitério do Bonfim (em Belo Horizonte). Era como se eu estivesse perdendo o meu filho pela segunda vez.  

Passado tudo comecei a correr atrás de respostas, não obtive muitas o laudo do IML. Não constatou problemas nenhum. Na analise da placenta uma palavra feia chamada Corigiose que nem estudo tem direito, e somente 1 exame indicando um tipo de trombofilia, mas que vários médicos dizem ser branda pra matar uma criança de 9 meses. Ate hoje respostas não tivemos só sei que no ano de 2015 fui a mulher mais feliz e uma mãe triste pois o meu colo continua vazio. 

Hoje, infelizmente, a minha é  vida anda muito abalada. Vivi a gravidez intensamente, rezava fazia novena pra Deus proteger o meu filho, mas foi tudo em vão, deu tudo errado. Mas vou continuar vivendo intensamente, pois, o meu sonho continua de ser MÃE.  Fui mãe de anjo , sim,  mãe de um filho lindo chamado Lucca.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Envie sua história

16:18 0
Envie sua história

Recebo sempre muitos e-mails com histórias incríveis das minhas leitoras e resolvi abrir um cantinho aqui no blog para vocês. Quem quiser compartilhar sua experiência, algum caso, dica, desabafo... é só mandar e-mail para eucurtosermae@gmail.com com o relato e uma foto. Se quiser pode incluir link de rede social também. Vou adorar ler e ajudar a divulgar sua história.#Eucurtosermaeblog